segunda-feira, 29 de junho de 2009

Férias

Vejo a tarde se despedindo e a penumbra cobrindo os morros do “tamanduá”, meu lugar de refugio nos finais de semana.
Ontem tive o privilégio de ver o sol nascendo no vão do Guarda Mor e subindo a serra, a do funil, comigo.Lindo! Colorido e redondinho! Logo chegamos juntos aqui. Fiquei dormindo a manhã toda. Ele subiu e ficou por aí jogando luz sobre a terra, pássaros, homens e plantas.
Meu olho está lá no morro da estrada. Já não espero ninguém neste domingo à tarde.
Sempre que sentamos aqui fora o primeiro olhar vai para a estrada. Estamos sempre esperando alguém chegar. Não sabemos quem, mas sempre esperamos. Ás vezes chega, outras não! Quase sempre não!
Reclamam que ninguém me vê desde que voltei. Dizem que estou mais longe de quando morava em São Paulo, mas não me visitam e eu também ando sem vontade de visitar as pessoas. Estou sempre cansado e querendo sossego! Sempre fui assim: um solitário por opção e um “preguiça“ como diz a minha amiga Zi!
Nesta próxima semana voltarei a Sampa pra tocar com o grupo e buscar a família para passar férias comigo. Fazer como a chuva: trazer mais alegria pra cá. Vou voltar a ver as crianças, que quase já não são mais crianças, correndo pelo gramado; andando a cavalo; tomando banho no córrego e brincando com a Tigresa que anda muito triste depois do parto!! Finalmente chegaram as férias!

Acabei de assistir à virada do Brasil contra os EUA na copa das confederações. Pensaram que iam ganhar! É impressionante a alto confiança dos norte americanos! Já são melhores em tudo! Pelo menos pensam e nos passam esta imagem de que realmente o são, só faltava ganhar nossa hegemonia no futebol.
Ainda bem que isso não aconteceu e continuaremos reinando, pelo menos nesta modalidade!
Meu galo perdeu ontem. Pra quem mesmo? Barueri!! Acho que ouvi falar deste time outro dia!

De manhã choveu muito por aqui. Coisa rara nesta época do ano. Plantas e animais agradeceram muito! A jabuticabeira até floriu!
Agora tenho tempo e tenho observado bem a natureza, as estações do ano. Vi as grotas correndo água quando cheguei em fevereiro. As vi secando no final de abril. As folhas e flores sendo jogadas ao vento no outono. Os pastos secando; o gado emagrecendo. Carrapatos agora estão aos montes por todos os pastos. Semana passada mesmo tirei um que me deixou feridas. Agora o inverno trouxe o frio e noites longas. O tempo seco é triste e feio! Esta chuva nos trouxe alegria. Que bom ver as galinhas pastando gafanhotos depois da chuva! Seriemas cantando quando o sol se abre! É a vida, a alegria de volta que a chuva traz!
Deitado de manhazinha fiquei pensando nos daqui que têm que levantar cedo com chuva ou sol e tirar leite. Coisa difícil! Ainda bem que já estão acostumados e não ligam pra isso. Os da roça gostam da chuva em qualquer circunstância. Diferentemente dos da cidade que abominam a chuva. Xingam até quando cai uma abençoada chuva. Como se na cidade não precisassem dela! Confesso que não pensei nestes, só nos vaqueiros que são obrigados a tirar o leite sempre no mesmo horário. E olha que nem é imposição das cooperativas e multinacionais que compram o produto, é hábito mesmo! As vacas tem horários: não podem passar da hora de serem ordenhadas e têm que pegar o pasto com o orvalho da manhã. Além disto os vaqueiros tem muitas outras coisas a fazer no decorrer do dia! Eu, um parasita do Estado que suga e é também muito sugado, fiquei na cama até mais tarde neste domingo. Depois fui fazer minha caminhada subindo o morro do arrependido e descendo o do estreito. Quase dez kilômetros de muita paz e silêncio. Vez em quando parava para ouvir e tentar identificar algum passarinho. Como é chato não saber o nome deles! Tava até pensando em começar a apelidar tudo que não conheço. Assim quando os vir novamente saberei quem é! Mesmo que tenham nomes catalogadas, passarão a ter os codinomes que eu lhes der. Boa idéia! Vou começar a fazer isso!
Bom, agora é noite feita. O curiango dá seus pios. À meia noite devemos ter a volta do corujão. Outro dia ele apareceu, ficou piando feio!.O corujão é uma grande coruja, obviamente, que é o terror das fazendas. Quando querem pegam até galinhas! Assim dizia a Vó Tonha! Ainda não confirmei esta estória, mas uma noite destas o ouvi piar: “UUUU. UUUU....”

Fui...

Show do Mina

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Na capital dos Gerais

BELO HORIZONTE

Estou em BH, a nossa capital!
A sensação é muito boa de sentir que agora é realmente a minha capital.
Finalmente voltei a ser mineiro!
Passeio pelas ruas me sentindo em casa. Visitei a loja do Galo onde pude ver nossos troféus conquistados nestes mais de cem anos entre glórias e fracassos. A vida é assim mesmo: não só de glórias se vive. O fracasso é o momento que nos faz olhar para trás e ver os erros para projetarmos melhor o futuro. O presente do Galo está muito bom.. Líder do Brasileirão... Não vemos ninguém na frente. O futuro é bem promissor!
Fui ao teatro Alterosa, ao bar “arrumação” e assisti a um pocket show no museu “Inimá de Paula” aqui na rua da Bahia onde estou hospedado. Não conhecia este pintor modernista que faleceu em 1999. Quadros lindíssimos com muitas cores vivas!
Aqui na esquina há uma frase gravada não numa palmeira, mas numa pilastra de concreto que diz: “minha vida é essa, descer Bahia e subir Floresta”. sobre as ruas aqui do centro.. Desculpe me o poeta autor da frase, não anotei seu nome.
Pretendo voltar com mais tempo para curtir mais a nossa capital.

Michael Jackson o rei do Pop

A TV do mundo fala na morte do Michael Jackson ocorrida ontem. Não era pra menos pois se trata do maior ídolo pop de todos os tempos. Nunca fez meu gênero mas admirava sua audácia e criatividade e reconheço sua importância para a música mundial. Foi muito competente no que fez. Inovou ao criar clips audaciosos quando esta linguagem ainda não era usada na música. Levou a dança e a alegria para o palco. Continuou e morreu triste mas deu muitas alegrias ao fãs. Gil havia dito numa letra há tempos atrás: “Bob Marley morreu por que além de negro era judeu, Michael Jackson ainda resiste por que além de branco ficou triste”.
Não resistiu mais. Morreu de tristeza!
O bom é que agora a mídia toda vai relevar seus erros para elevar suas virtudes. Ainda bem que será assim!
No Japão a manchete de um jornal diz “Você nunca mais ouvirá esta voz”. Discordo pelo fato de que isso não é verdade. Agora vamos ouvir muito mais a voz dele. Esta é a vantagem de se gravar músicas: a nossa voz permanecerá para sempre. Quando alguém quiser nos ouvir depois da passagem, basta colocar a mídia e pronto, mata se a saudade.
Tenho feito isso quando quero matar a saudade dos meus ídolos que já passaram para o outro lado.
E a vida continua...
Fui

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Dizin zanga biz creta zangada

Você sabe o que quer dizer a frase acima? Não tem nem ideia?
Acabei de ler no jornal "Visão Regional" aqui do noroeste mineiro.
Uma pérola não é?
Esta é uma frase que o dono de uma bicicletaria colocou na frente de sua oficina em Unai.
Perguntado sobre o que queria dizer respondeu:“Uai, as bicicletas que chegam aqui zangadas são dizinzangadas“!
Queee beleza!!! como diria Tinoco!!!

Por falar em coisas engraçadas, havia escrito aqui neste nosso espaço sobre o Passarim lá da roça que cantava “queij frit”
Conversando com o Galba esses dias ele me disse que foi assim que ouvi mas que na verdade o que foi passado pra ele pelo nosso Tio Neca, (o da Carta ao velho Rosa) é que o Passarim canta “Peix frit”. Tá registrado.
É assim que nossas tradições orais vão se modificando. O que não está escrito ganha outro nome ou o que está escrito distorce o que foi dito.
Por exemplo: sempre ouvi dizer que aquela roda de fiar algodão usada com pedal se chamava "roda de fiar" mesmo. Fiquei em dúvida quando li em alguns escritos que se chama “roca de fiar”. Não me conformo! Vou continuar falando roda de fiar, foi assim que ouvi a vida quase toda.

Neste sábado à noite estava sentado aqui no alpendre tentando escrever uma letra sobre a minha plantação de estrelas quando fui surpreendido por uma linda estrela cadente!
Coisa que não via há muito tempo. Que lindo que é! E o bom é que ela não caiu, rasgou o véu do céu na horizontal e se desintegrou no ar.
A letra ficou pronta mas não vou postar aqui não. Deixa virar música primeiro senão perde a graça. Vou esperar algum dos meus parceiros se habilitar para fazer a melodia. Quem se habilita?
Um abraço
Fui...



O Lábaro

Nesta sexta ultima mudei minha rotina: ao invés de sair direto do trabalho para a fazenda resolvi ficar em Paracatu. Não sem motivo, é que fui gentilmente convidado pela Uldisséia - aprendi a chamá-la de Dulcinéia como a Del Toboso do Dom Quixote - para tocar algumas músicas no aniversário do seu jornal “o Lábaro” que estava completando dois anos. Festa bonita na praça Firmina Santana. Som de boa qualidade ao ar livre no centro da cidade. Antes foi apresentado um vídeo bastante legal sobre nossa falta de consciência ecologia com relação ao consumismo desenfreado que praticamos. Depois toquei algumas de minhas músicas. Houve também a entrega de vários diplomas para pessoas que apoiam este importante veículo de comunicação para a nossa cidade, isso sem contar no quentão, no arroz com galinha e farofa e outras cositas mas que estavam muito boas!
Mais uma vez fui pego desarmado. Havia deixado viola e violão na fazenda. Estava voltando de um show de São Paulo com o grupo onde utilizei o baixo que ficou por lá para o próximo show do dia 03 de Julho. Mesmo assim me dispus a participar e foi muito bom!
Instrumentos sempre aparecem! O Rodrigo, ex professor de música da casa da cultura de Guarda Mor estava fazendo o show com sua banda e me cedeu seu violão. Apanhei um pouco mas, entre mortos e feridos, acabei sobrevivendo e gostei da minha apresentação e acho que o público também. Depois teve o show da banda do Rodrigo que foi muito competente animando a galera. Além de agradecê-lo pelo violão peço desculpas por não me lembrar também do nome da sua banda. Muito boa!
À Uldicéia meus agradecimentos pelo convite e meus parabéns pelo belo jornal que tem muito a crescer para o bem da nossa comunidade.

Shows no Sindicato Rural dos Produtores

Levado pelo parceiro Fernando Moreira, amigo pandeirista aqui de Paraca, acabei me integrando a uma comissão que resolveu agitar a cidade promovendo shows musicais com propostas culturais, coisa muito rara nos tempos de “sertanejo universitário”aqui na cidade. O primeiro show acontecerá agora dia 26 lá na sede do sindicato com o Marcos Paracatu. Músico local que, como eu, ganhou o mundo correndo atrás dos seus sonhos musicais e ainda mora fora da cidade. Espero que seja um sucesso para que possamos dar continuidade à série. Fazem parte da comissão: Davi Brasil, figura muito conhecida na cidade; Zezinho,maestro da Lira Paracatuense; Tia Lana da Casa da Cultura, dentre outros. À frente da comissão está o mais que empolgado e amante da viola o famoso “João das Abóboras”. Uma pena mas não estarei presente neste primeiro, estarei em BH nos dias 25 e 26. Sucesso pra turma!


Fui...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Como é bom tocar!

Estou de volta ao meu quarto de hotel com vista para a praça da igreja matriz em Paracatu, cansado, mas feliz!
Este final de semana fui a Sampa rever a familia e tocar com o Mina das Minas.
As duas coisas foram ótimas! Matei dois coelhos com uma cajadada só!
O show foi maravilhoso! O público estava com saudades de nós e o grupo com muita vontade de tocar. Por isso que se diz "saudade até que é bom"!
Mesmo com um ensaio apenas, fizemos um ótimo show! Tudo parecia dar certo,com poucas exceções, é claro. A música fluiu normalmente e o público foi muito receptivo!
Tivemos novamente a participação especial de Marcelo Ádrio na Bateria e uma canja do Lucas Cordeiro que arrazou cantando "Além do Nariz", música bonita do Márcio!
A cobrança continua: quando sairá novo disco? Tentamos, numa reunião regada a bom vinho, dar uma resposta a esta pergunta, tentativa em vão!
Tudo ficou mais dificil com a minha volta pras Gerais e pela falta de recursos financeiros.
Mas os fãs não se desanimem, quando menos esperarem teremos um novo disco!
Pelo menos estamos pensando na possibilidade!
Em Sampa tive o prazer de, além de rever a família e alguns amigos,rever minha árvore. Explico: quando estava vindo embora, em fevereiro ultimo, tive o prazer de plantar uma árvore, um abacateiro lá na avenida Braz leme onde costumava fazer minhas caminhadas.
Foi uma das coisas mais emocionantes que já vivi!
Depois de ter morado por 27 anos naquela cidade que amo muito,de ter deixado uma família e muitos amigos por lá, tive a alegria de poder deixar uma árvore plantada naquele solo fértil.
Estava eu fazendo minha ultima caminhada no calçadão da Braz Leme antes de vir pra Minas quando vi o Senhor Antônio plantando algumas árvores. Ele plantou quase todas que tem lá naquela linda avenida. Pedi para plantar uma e ele me deu um abacateiro para plantar. Furei o buraco com um enxadão, coloquei minhas mãos naquela terra roxa, plantei e reguei ao mesmo tempo com lágrimas de emoção por estar deixando algo tão simbólico em São Paulo.
Estava por aqui preocupado com a nossa árvore, por causa da seca, se ela ainda estava viva. Gostei de vê-la muito viva. Espero poder colher seus frutos um dia!
Foi novamente um momento de muita emoção.
Bom, dia 03 de julho tem mais show lá em Sampa. Desta vez no Villagio Café.
Espero contar com vocês
Grande abraço
Fui.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A fé

Neste domingo fui ao almoço comunitário na “corda”
Corda é um local aqui próximo à fazenda que tem uma igreja e um salão de festas onde se reúne a comunidade local. Lá já fizemos, com a tia Leonora e a comunidade, uma linda festa de Santos Reis.
O almoço, ofertado pelos casais: Marquin e Nenza, Sinval e Rosana foi bom até!
Fartura: Muito frango, mandioca, pelotas (almôndegas) , macarrão, tropeiro, abóbora madura e outras comilanças. A parentada quase toda reunida.
Quando cheguei estava havendo a celebração da missa. Desta vez o padre da paróquia de Guarda Mor estava presente. Lá, o costume é sempre ter um terço antes do almoço.
Fiquei meio sem jeito mas acabei sentando com os fiéis e assistindo ao culto. É que não tenho mais paciência para missas. Acho as longas demais e repetitivas. Sempre o mesmo ritual.
Fico observando as pessoas com aquela devoção toda e fazendo mea culpa
Fico sempre sem jeito nestes locais, igrejas, terços, cultos de qualquer espécie. Sou muito crítico!
Perdi o jeito ou a fé? Não, a fé não! Esta está sempre comigo e acredito mesmo num ser superior que nos rege a todos. Mas tenho maneiras diferentes de agradecer! Confesso que não tenho paciência para celebrações religiosas. Fico sempre questionando as parábolas, os sermões dos padres e as atitudes das pessoas que estão ali rezando. Não consigo me entregar e entrar na “dança”. Acho que perdi a fé foi nos padres!
Por outro lado fico admirado com a devoção das pessoas e com os rituais de alegria ! Elas se entregam mesmo e não arredam pé até que o padre diga: “vão com Deus e que o Senhor vos acompanhe”!
Confesso que me esforço e tenho vontade de ser um deles, um cordeiro, mas não tenho conseguido. Acho que depois que se aprende a olhar as coisas com olhar crítico fica difícil a isenção para se deixar dominar.
Quando vejo pessoas devotas e ativas nas igrejas, fico admirado e tenho o maior respeito por elas e as invejo até pois, sem Deus, nada é possível! Me perdoem! Mas é o que penso, no momento.
Quando estávamos gravando o disco “Bacupari”, Zé Geraldo, que havia sido nosso convidado na gravação da música “um lugar”, nos pediu que gravasse com ele a música “Fé” que ele havia feito daquela vez que o bispo chutou a santa. Música linda! O Zé que apareceu no cenário musical falando de igreja com a música “Cidadão” do Lúcio Barbosa, havia composto esta música linda professando sua fé!
Gravamos e acabei levando uma matriz para casa pensando na possibilidade de, se o Zé não a gravasse comercialmente, um dia quem sabe eu a gravaria. Felizmente depois de uma longa trajetória ele conseguiu emplaca-la na novela das seis da Globo. É a música da santinha!
Sem dúvida nenhuma foi a fé do Zé que o levou novamente à tela da toda poderosa emissora, embora ele não tenha mais a ilusão de aparecer nos programas do “Gugu e do Faustão”, está lá!
Aquele é um homem de fé e a sua letra diz: “o povo que não tem fé é um povo abandonado”.
Ainda bem que a minha continua aqui!
Voltando ao almoço, comi bastante, arrematei um pudim no leilão e, quando chamaram para rezar novamente, desta vez um terço, saí de fininho...
Fui.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Minha viola quebrou...

Hoje fui fazer minha estréia em shows como violeiro.
Fui convidado para abrir as festividades de Santo Antonio aqui em Paracatu.
Plena segunda feira. Palco sem retorno mas o som até que estava bom!
Resolvi encarar o meu lado violeiro e ataquei com o violão e depois com a danadinha da viola. Que som maravilhoso que ela tem (ou tinha)?
Convidei um pandeirista muito bom que tem aqui: o Fernando que me deu um auxilio em algumas músicas de viola. Os locutores das radios locais fizeram a animação.
Tudo certo até que, no final, quando fui tirar a danadinha do carro ela caiu!
Pelo barulho senti logo que tinha se quebrado.
Estava escuro e vim rezando até o quarto com ela na mão pra ver o estrago.
Chorei ao ver que ela abriu um pouco. Nada que não se possa dar um jeito mas fiquei muito triste.
Ou xará Santo Antônio, será que você não gostou da minha violinha???
Mas eu gostei de ter tocado em sau igreja. Igreja esta que tem três palmeiras firmes e altas que vejo todas as tardes da minha janela.
Igreja onde fiz minha primeira comunhão e onde estreei como violeiro.
Que pena..
Minha viola quebrou... meu coração se espedaçou!!!

Show do Mina das Minas

Dia 13 tem Mina das Minas no Bixiga em São Paulo
Apareçam! Será no Lua Nova café (rua 13 de maio com a Conselheiro carrão)
Vamos matar a saudade!

Queij frit

Hoje me sentei, à tarde, na beira do córrego aqui da roça. O “do carneiro”, o menorzin.
Fiquei lá sentado numa pedra ouvindo o som da água correr, passar despreocupada pelas pedras e seguir rumo ao “das galinhas” onde vai aumentar o volume até chegar ao encontro do do “lambedor” e formar o da “samambaia”. Daí vão cair no do “rio verde” que vai se juntar ao do São Marcos ou o do “Paranaíba” um dos dois, aí vão ganhando outras águas cujos nomes desconheço e vão seguindo seus caminhos até o mar.
Fiquei viajando nas águas! Coisa boa e prazerosa de se fazer!
Aquele barulhinho bom de água correndo nas pedras! Dá pra imaginar como é?
Vez em quando piava um passarin nas margens. Um Martin pescador talvez. Um outro passarin que pia engraçado, piava e se calava, piava e se calava. Ele dizia: queij frit....dava uma pausa sempre da mesma duração e falava de novo: queij frit. Queijo frito (coisa do Galba) . Eu o ouvi uma vez arremedando este pássaro com esta onomatopéia. E o pior é que parece mesmo que ele fala assim, sem os “o” final. Coisa de passarin mineiro.
O Galba é ótimo para apelidar as coisas! O ultimo cachorro dele, pra vocês terem uma idéia, chamava se “Nastrormagário“, pode?
Pois é, fiquei ali por quase uma hora fugindo do barulho da casa e me procurando na beira daquele riachinho. Voltei outro! Ali estava pensando no que disse Heráclito sobre as águas de um rio, (Acho que foi este filósofo grego mesmo, caso me engano, corrijam me), que disse que á água de um rio que passa “nunca é a mesma”. Passou aquela, no segundo seguinte já são outras que passam. Assim somos nós! Sempre renovando.
Aliás, esta semana recebi uma mensagem linda sobre a velhice: “Não temos idade, temos vivência”!
Fiquei ali pensando de como era aquele corguinho nos anos setenta: bem maior, muito mais água!
Nadávamos nos pocinhos que se formavam. Tinha o poço do ingá, o do carneiro, o do açude. Hoje já não há mais poços. Água pouca. Será por quê? Não desmatamos, não desviamos seu curso, não açoriamos. Deve ser mesmo sinal dos tempos ou o efeito estufa. Imagino que ele tinha o dobro de volume de água naqueles tempos. Talvez eu esteja enganado pois, quando crianças, enxergamos as coisas bem maiores que realmente são. Ou as enxergamos no real e depois de velhos distorcemos as dimensões?
Como será este córrego daqui a mais uns trinta anos? Ainda existirá? Talvez!

À noite vou dormir e fico escutando o barulho da água caindo na caixa d’água
Será o barulho da água ou o barulho da caixa?
Ou será o barulho da água que se encaixa?


Enquanto isso, deixa as águas correrem que eu também vou nessa!
Fui..

Fonte da Beja

Em 1988 escrevi e musiquei, junto com meu parceiro Wellington de Faria,
a música Fonte da Beja.
Na época, a extinta TV manchete estava levando ao ar a novela Dona Beija sobre aquela que, literalmente nas coxas, devolveu o triângulo para Minas Gerais.
Pela primeira vez tentei colocar uma música na novela mas a concorrência ,como sempre, era grande.
A TV havia encomendado o tema para nada mais, nada menos que ,Wagner Tiso, o nosso famoso arranjador do “Clube da Esquina”.
Fiquei de fora mas a música entrou no primeiro disco que o Mina das Minas gravamos.
Foi uma das mais executadas na radio Boa vista de Paracatu naquela época.
Cheguei a receber, lá em Portugal, telegrama desta emissora nos parabenizando pela bela canção e pelo fato de estar entre as mais pedidas pelos ouvintes.
Vinte e um anos depois, volta a novela a ser exibida pelo SBT.
Estava pensando em enviar uma gravação remasterizada para a radio voltar a tocá-la.
Ainda bem que não foi preciso.
Quando chegava em Paracatu na ultima segunda feira, tive o prazer de ouvi-la, pelo radio do carro, tocando no programa “manhã brasileira”, aliás o único programa audível da Boa vista.
Fiquei muito contente! Fazia tempo que não a escutava e no rádio o sabor é bem melhor!
Que arranjo lindo! O Walter Matheus caprichou na flauta e, a variação rítmica dela, coisa peculiar do compadre Wellington, deixou a muito rica!
Depois, durante a semana, ouvi a novamente no mesmo programa.
Pena que das duas feitas, não disseram nem o nome dos autores e nem do intérprete.
Fato usual das emissoras brasileiras para não pagarem direitos autorais.
Aqui em Paracatu, tive o prazer de passear pela praça que é “do Santana” e não de Santana como pus na letra.
Praça linda onde havia uma antiga árvore “barriguda” que caiu há uns dois meses atrás depois de uns 200 anos de vida. Lá também fica o sobradinho onde morou Dona Beja (sem i). Hoje está restaurado e abriga um arquivo, se não me engano.
Lógico que não é nem um castelo como apregoado na novela, mas é um belo sobradinho para aquela época, século XVIII.
Aqui vai a letra de Fonte da Beja para quem não conhece, para os que já ouviram, matem a saudade.
Para ouvir clique aqui: www.myspace.com/minadasminas


Fonte da Beja
Pedro Antonio/Wellington de Faria

Quero acordar amanhã
E ver o mundo com os olhos do sol
Vou beber água na fonte
Vou tornar belo o horizonte
E vou secar o pranto
Dos olhos da samambaia
A menina dos seus olhos
Vai brilhar quando me ver
E a lua minha amiga
Vai trazer o anoitecer
Mas antes que o dia escureça
Quero estar em Paracatu
Lá na praça de Santana
Quero ver a Dona Beja, beijar
Beja me beijar,
Beja me beijar
Dona Beja de Araxá
Beja me beijar...