segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Chumbo na asa



Depois de um “chumbo” no festival de Paracatu, viemos pra roça: eu, Luiz Salgado e Lilian Fulô, (que também foram chumbados), e o Antônio, filho deles.
Deixamos Paraca no sábado pela manhã e viemos curtir as asas na roça.
Bom demais da conta: muitas cantorias, vinhos, churras, pão de queijo e outras cositas mas.
Sobre o festival, nada a declarar! Só não fomos pra final, coisas inexplicáveis de festivais! Mas o povo curtiu minha música que fiz com uma super banda montada aqui mesmo! E isso é o que realmente importa!
Hoje vou deixar o texto para o Luiz escrever. Segue abaixo seu relato.
Um abraço.

“Ficamos 2 dias na casa do Pedrin, aqui na Fazenda Tamanduá, em Guarda Mor. Tem que descer uma ladeira de cascalho que parece uma parede de tão inclinada, chamada Morro do Arrependido. Mas pior vai ser na hora de subir. Vim conferir a nossa plantação de estrelas e vaga-lumes. Quando chegamos fomos recebidos pela Tigresa e o Ramires (os 2 cachorros da casa - a Fadinha sumiu depois que a Tigresa pariu o Ramires).
No sábado (que tava com cara de domingo), tomei banho de riacho com meu filho Antônio, que aproveitou, assim como eu, cada segundo dentro da água.
Hoje, domingo , comemos pão de queijo com suco de tamarindo, colhido aqui no quintal, a 10 metros da cozinha. Árvore gigante e carregada de frutos.
De noite, uma quantidade de aleluias e besouros que nunca vi igual ficaram aqui do lado do alpendre (que é onde estou agora), e fizeram a alegria dos 3 sapos que moram dentro do cano. Os sapos se fartaram do banquete alado, e nem precisavam sair do lugar pra comer. E foi nessa paisagem singular que o Pedrin compôs uma linda melodia e a gente gravou ela aqui no alpendre da casa, nesse computador que eu escrevo. Violão, viola caipira e vocais. Merece uma bela letra, mas também daria uma linda música instrumental.
Os insetos que tinham invadido o monitor desse not book, deram uma folga, mas parece que agora se lembraram dessa fonte de luz e tão começando a aparecer novamente.
Depois do chumbo que levamos em Paracatu, já tamo de asa curada e prontos pro próximo (chumbo ou não). Amanhã cedo partimos, eu, Fulô e Antônio pra Araguari.
O sapo continua ali comendo. Parece que vai chover de noite.
Agora vou desligar porque as aleluias tão quase carregando eu e o computador.
Um grande abraço de agradecimento e amizade no Pedrin, Rosana, Sinval, Delei, Rone, e Isadora.
Aquele forte abraço e um saudoso boa noite.
Inté".
Luiz Salgado.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Parabéns Paracatu pelos 211 anos

O filho à casa volta...
Hoje, 20 de outubro, aniversário de Paracatu. 211 anos de história.
Quanta história e quanta depredação! A cidade me lembra São Tomé das Letras.
Quando venho chegando de Guarda Mor e vejo aquele morro do ouro pelado, é inevitável a comparação. Fico triste! Não gosto disto! Pena não ter a áurea e a magia de São Tomé! Está mais para Serra Pelada! É um morro quase no fim. São 50 kgs de ouro retirados por dia por uma mineradora Canadense, segundo informações que obtive! E isto vem de dois séculos atrás. Imaginem quanto ouro Paracatu já deu! A água está comprometida, a cidade está comprometida com a questão do emprego. A mineradora é um mal necessário! Se fechar, a economia fica restrita ao agronegócio! A poeira amarelada é visível pela cidade toda!
Há muitas coisas e pessoas interessantes na cidade! Tem seu lado bom também!
Cada dia que passa conheço figuras históricas.
Tem o Didi Paracatu, um grande violonista compositor; o Tarzan Leão, um filósofo conhecedor da matéria humana; o Almir Paraca, nosso Deputado e, até descobri que a grande fotógrafa que achava Paulistana, Vânia Toledo, é daqui também.
Hoje ouvi um poeta “Labosier” dizendo na TV que ficava pela praia furando cacimbas e coando areia na tela de arane trançado como fazíamos quando meninos próximo ao campo do DR. Velhos tempos, belos dias! Ficávamos ali pela praia coando cascalho e bebendo água de cacimbas olhando as lavadeiras batendo roupas nas pedras.
Aquele Corguinho está quase seco! Também estamos. Sinais dos tempos!
A rua Goiás que era o point da moçada, hoje está vazia. Poucas coisas funcionam aqui. Gosto deste pedaço antigo da cidade! São os casarões centenários que me fascinam!
Tem o chafariz datado do século dezoito, as igrejas da matriz e do rosário que são lindas!
Hoje teve desfile na avenida principal. Uma cena me deixou emocionado: um palhaço de pernas de pau de mais de dois metros de altura. Lembrei me que, quando criança, um dia vi um desses sentado na varanda alta de uma casa de esquina aqui próximo à rua Goiás onde funcionava uma farmácia. Uma cena que nunca havia me abandonado! Nunca mais havia visto um palhaço de pernas de pau assim. Coincidentemente fui ver outro aqui hoje no desfile. Foi emocionante!
Tenho tentado gostar de Paracatu. Nasci aqui e tenho tudo para ser feliz aqui. Perto da roça e dos parentes. Além disso tenho feito muitas amizades e estou até pensando em abandonar o hotel e alugar um apezinho. Pena aqui ser uma das cidades mais caras para se viver que conheci até hoje! Quem vive aqui consegue viver bem em qualquer lugar do mundo!
Outro dia tive a oportunidade de conversar com um dos atletas do time de futebol do DR do meu tempo de criança, o Zé de Áurea. Um crack que formava com Carrochinha e Robertinho o ataque do time. Relembramos juntos aqueles tempos e ele até jurou que me conhecia, do que duvidei calado!. O Niquim, outro amigo de infância da nossa rua também ainda vive por aqui e temos conversado vez em quando. Os outros sumiram no mundo.
No próximo final de semana temos o festival do Sesc que havia sido adiado.
Estarei com a música “Procurando paz”. Serei o representante da cidade já que os demais concorrentes são de fora. Espero não fazer feio. Montei um time de músicos daqui que me ajudarão na empreitada. Hoje fizemos um bom ensaio: Rodrigo no violino; Silvério no baixo; Sergão na bateria e eu na viola.
Todos gente boa! O Silvério até deixou a viola dele comigo que é deliciosa de se tocar! Não que não goste da minha, mas a dele é mais delicada!
Vou contar com a percussão da Lilian Fulô que está vindo com o Luiz Salgado. Bom, queria dizer parabéns Paracatu! Nós que aqui estamos, por ti esperamos com melhores dias!
Um grande abraço a todos os “silvalves Paracatuanos” como disse um dia o grande Guimarães Rosa “
Depois conto o resultado do festival, mas não esperem muito: só de participar como Paracatuense já é uma grande vitória.
Grande abraço a todos

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Vaga lume




Cai a tarde novamente com nuvens escuras sobre o céu dos Gerais! Roncam os trovões! É São Pedro arrastando os móveis!
É bom estar aqui a contemplar o entardecer!
Nely, uma de minhas irmãs, esteve conosco ontem e hoje. Deu uma geral na casa e fez algumas gostosuras: doce de leite, pão de queijo e hoje almoçamos aquele franguinho ao açafrão. Gosto quando Nely vem pra cá: me remete aos tempos de infância! Falta adivinhar o que a gente quer! Obrigado minha irmã!
A Cauane, sua neta, veio também. Não para quieta um minuto. E fala, e canta, e dança, é um talento que estamos deixando desperdiçar. Adora música e tem muita facilidade com os instrumentos. Brincou com minha viola e violão. Com um pouco de estudos e incentivo, iria longe! Pena na cidade em que mora não ter escolas com melhor qualidade! Ela adora cantar minha música “a do siri”. Prometi lhe ensinar a música inteira qualquer dia desses. E só tem oito anos!
As cigarras cortam o silêncio com roncos ensurdecedores sempre na mesma nota.
Vez em quando uma outra canta numa terça acima, duetando!
Fica até agradável de se ouvir!
Esta época do ano é muito bonita! Primavera! Tudo parece cantar e florir!
O pasto rebrota, as árvores florescem, as frutas vão chegando!
Parece o início de tudo! A única coisa triste é mesmo o canto da cigarra! É constante e sem melodia!
A poeira já sumiu das estradas. As estradas estão sempre me convidando a viajar e a conhecer gente nova! Recentemente conheci três colegas de Uberlândia que vieram a Paracatu a trabalho. Todos gente boa: o Klaus, que apesar do nome de autoridade Alemã é um doce de pessoa; o Clóvis que é de uma brasilidade espontânea e mineiramente baiano e o JB Guimarães, João Bosco, o escritor. Do JB ganhei três livros autografados...
Depois de uma pausa na escrita, devido aos raios e trovões e à forte chuva que caiu agora à noite, li “Garotas do Shopping”, dele. Cara, que criatividade! Quisera eu, aprendiz de cronista, ter um décimo do talento do JB para criar personagens! Fiquei admirado! Parabéns pelo trabalho meu amigo e muitos livros ainda serão escritos com este seu talento e poderoso repertório. Acabei a leitura do livro e me dei conta de que o meu quarto está cheio de vaga lumes que vieram atraídos pela claridade da lâmpada, fugindo da chuva! Nem os vi chegar, entretido que estava com a leitura. Agora a pouco fui ao banheiro e vi um deles navegando dentro da bacia do vaso. Fiquei com pena ! Mas a luz que saía da água no fundo da bacia estava linda! quanto mais ele se batia para sair, mais forte lumiava seus faróis, dele. Puro neon! Acabou ficando lá!
Agora os sapos ensaiam a orquestra. Ensaiam nada, tocam sem ensaiar mesmo! roncam! Cada sapo estranho! Tem um que deve ser o sapo boi: berra! A chuva continua a cair e os vaga lumes a invadirem meu quarto. Tentarei dormir sob as luzes deles!
Apaguei a luz e contei vários no telhado, parecia a avenida paulista vista de cima a noite.Tentei fotografar alguns, mas minha câmera não tem muito poder noturno.
Coisa linda de se ver!
Um abraço

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dia das crianças


Depois de uma semana em Sampa estou de volta, escrevendo direto do velho alpendre da roça.
Dia das crianças e de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira de nós os brasileiros!
Saí de Sampa as sete da manhã sem poder curtir o dias das crianças com os meninos! Ossos do ofício!
Cheguei aqui na roça as dezessete horas. “Sem correr” em gente!
Cheguei em São Paulo numa terça feira ensolarada quando pude ver aquela gigante cidade por cima. Coisa linda de se ver! Os edifícios e seus heliportos, as piscinas, os casarões dos condomínios e até o campo de marte, vizinho da minha casa lá na zona norte. Por pouca daria pra eu ver meu prédio. De todas as vezes que cheguei em São Paulo voando, esta foi a vez que mais curti! Sentei me na janela bem nas poltronas dianteiras do avião e pude vir saboreando as imagens por cima das nuvens como se estivesse num grande mar de algodão! Era eu sendo criança!
Em Sampa peguei um taxi e pude sentir o que é ficar livre daquele trânsito por estes oito meses em que de lá saí! Coisa louca! É carro demais sô! Lá pude comprar outro carro. Por pouco compro outra ecoesporte, mas o destino não quis, quando fui busca-la, havia sido vendida para outro. Aí me pintou uma “Idea” que me trouxe de volta às Gerais! Carrinho bom!
Fiz uma bateria de exames médicos por três dias consecutivos lá no Hcor, agora é esperar os resultados para ver se está tudo em ordem.
Visitei os colegas da Receita de Sampa, almocei com eles e tomei aquele cafezinho gostoso que tem lá perto! Foi bom demais matar a saudade dos amigos!
Brinquei com o Ângelo e o Peron de futebol e fiquei devendo pra Mari uma maior atenção. O tempo foi curto para tanta coisa que precisava fazer. Perdão Mari, da próxima vez jogaremos futebol juntos, prometo! Fiquei admirado como você já está moça! O tempo voa! Tá deixando de ser criança, que pena!
Com a patroa pude ficar um pouco mais, mas sempre é pouco! Logo estaremos juntos novamente!
No domingo ela fez um tutu maravilhoso e outras cositas que saboreamos no churras em casa onde apareceram alguns amigos: Victor Batista, violeiro dos melhor que tem, Gandhi, Bel, Paula, Mônica, Galba e a família, Márcio e a família e outros. Para minha surpresa, apareceu um colega de estudo de contrabaixo, O Zóio! Grande baixista que hoje é muito requisitado em São Paulo. Toca com Pena Branca, Renato Teixeira, Victor Batista e um monte de gente boa! Fomos alunos do mestre Claudio Bertrami! Só que eu acabei partindo pro violão e viola, embora ainda execute o baixo mas sem muito entusiasmo. A viola me ganhou de vez! Parabéns Zóio pelo nome que vem fazendo com seu instrumento! Foi bom demais, tomamos uns vinhos e tocamos um pouco!
Liguei para o Luiz Wack para tratarmos da gravação do meu disco, mas ele estava fora da cidade e acabamos não nos encontrando para combinarmos as gravações!
Assim vamos adiando o sonho do meu disco solo.
Agora estou aqui, cheguei debaixo de chuva! começa a escurecer. Vejo que o Flamboian floriu como a Mari que deixa de ser criança, sorrindo pra vida!
As cigarras estão cantando fortemente como é de costume nesta época do ano!
Vou me deitar mais cedo que amanhã será outro dia!!
Os vagalumes já ligaram os pisca piscas!
Inté!

Agora, aqui d
Revi os filhos e amigos e

domingo, 4 de outubro de 2009

Da janela lateral do quarto de dormir...



"Da janela lateral, do quarto de dormir, vejo uma igreja e um sinal de glória..."
Esta é a imagem que tenho da janela do quarto 214 do Walsa Hotel onde resido desde março (clique na foto para ampliar). Uma paisagem linda que meus poucos recursos tecnológicos não conseguiram captar com a beleza e perfeição que tem para revelar a vocês, mas fica aí esta impressão. As palmeiras altaneiras continuam lá, firmes e fortes balançando suas palhas quando bate um ventinho, coisa rara por aqui esses dias!
Domingão! Meu primeiro final de semana em Paracatu desde que aqui cheguei. Como em toda cidade que se preze, ninguém nas ruas. Vazio total! A maioria vai pras fazendas, outros ficam assistindo TV como no restante do país. Eu saí do quarto para o café da manhã, para o almoço e para um picolé de murici na sorveteria de frutos do cerrado que tem aqui do lado. Sintonizei o PC na radio universitária de Uberlândia e passo todo o dia ouvindo boa música. Agora achei!!!
Como sabem estou sem carro e além disso tive compromissos por aqui. Como não temos espaço para tocar, resolvi trabalhar com uma turma daqui, amantes da viola, para agitarmos um pouco esta cidade. Criamos o projeto "Vida de viajante, encontros e despedidas" - título que acho pouco original - mas é do João das Abóboras, um dos idealizadores do projeto.
Na ultima sexta tivemos dois violeiros: Braz da viola e Bras da viola. Um paulista e o outro mineiro. Palco ao ar livre no largo da Jaqueira, lugar lindo em meio aos casarões da cidade. Pecamos com a qualidade do som que acabou comprometendo o espetáculo mas o saldo foi positivo! Praça lotada com a presença ilustre do nosso Deputado Almir Paraca que agora anda dizendo na cidade para todos que sou seu parente. Tomara que não pise na bola! Temos muita reputação entre os Paracatuanos! Prometeu ajudar o projeto a trazer o Mina das Minas. Vamos cobrar!
Depois do show fomos para a casa do Dr Adriano, um médico muito querido daqui. Lá estavam hospedados o Braz de São Paulo e seus músicos. Fizemos uma cantoria até as quatro da manhã quando me vi vencido pelo sono! O Braz não quis tocar mas em compensação seu músico, o Thiago, que é um baita instrumentista, tocou comigo a noite toda. Sola tudo! No sábado pela manhã fomos pra rádio Juriti a convite do produtor Eduardo Conceição, onde pudemos falar do projeto e toquei alguns trechinhos de músicas minhas que, algumas delas, já tocam na emissora. À tarde fomos pro Hotel fazenda do João das Abóboras para um churrasco. Uma tarde muito agradável e farta de comida e bom vinho, coisas que aprecio muito!
Lá tocamos, Thiago, Fernando Moreira e eu, por mais de duas horas. Sucesso total! Os Brazes (ih, agora não sei se com Z ou S) elogiaram muito nossas músicas. O Bras mineiro dividiu comigo a viola em algumas músicas. O com Z, o paulista, novamente não quis saber de tocar, sinalizando um certo estrelismo! Mas curtiu muita nossa cantoria!
De volta ao quarto, ressaqueado, dormi cedo e grande parte deste domingo!
Agora uma cigarra canta alto próximo à minha janela. Barulho bom mas ensurdecedor! Coitada, vai explodir com o canto nesta primavera!
Na próxima semana estarei em Sampa para matar a saudade da família e dos amigos..
Depois volto, um abraço e boa semana para todos!!