segunda-feira, 25 de outubro de 2010

À luz de vela

Neste sábado acabou a energia elétrica lá na roça. Foi à tarde devido à chuvarada e alguns raios que caíram na região. Fiquei só, no inicio da noite, e não senti medo. Acho que ele está mesmo indo embora! Pude relembrar um pouco de quando ainda não tínhamos energia elétrica. Sentávamos no alpendre no escuro e ficávamos conversando até tarde vendo os vaga lumes cintilando pelo gramado e ouvindo a sinfonia dos sapos.
Nossa mãe não gostava que levássemos a lamparina para o alpendre. Ela ficava acesa lá na cozinha ou na sala. Dona Leonídia preferia ficar no escuro, dizia que, no escuro podia ver melhor, além de economizar querosene que era o combustível usado nas lamparinas.
Nossa mãe tinha cada uma! ela gostava de dizer algumas frases prontas para deixar a gente pensando. Dizia, quando estava em algum carro viajando: "vá devagar que estou com pressa"! Saudades Dona Leonídia!
Quanto medo já passei ali em casa na roça ouvindo estórias de assombração e outros casos que contavam os mais velhos. Tínhamos um vizinho que morava não muito perto e que ia lá pra casa ao entardecer e ficava lá até por volta da meia noite contando aqueles causos de arrepiar os cabelos. Nunca entrava, chegava, amarrava a mula lá no barracão e sentava ali no alpendre, calçado de esporas, e ficava lá proseando com os adultos. O máximo que se permitia fazer era entrar na anti sala e tomar água no filtro de barro. Nunca ia até a cozinha!
Depois de várias estórias pegava sua mula e ia embora no meio da escuridão. Dizia que não precisava enxergar nada pois a mula já sabia o caminho.
Nós, o meninos, ficávamos apavorados debaixo das cobertas e aquele fazendeiro cortando o chapadão no meio do escuro. Chamava se Zé Leivino,também já passou desta para a melhor!
Éh, o tempo passou e hoje tudo mudou! então, um pouquinho de momentos assim para relembrar nos faz muito bem!
Sem luz elétrica, acendi uma vela e levei pro alpendre. Não ventava e, à luz dela, pude ficar ali tocando um pouco e escrevendo alguns rabiscos de idéias que me vinham à cabeça. Tomando umas tacinhas viajei no tempo até que a vela se apagou por inteiro. Daí fui dormir ouvindo o som da chuva no telhado e me lembrando daquele tempo.
No domingo a luz voltou e tudo ficou como dantes!
Esta semana chega nosso CD. Quem se interessar já estou aceitando encomendas.
Boa semana à todos!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Matar ou deixar viver?!!!

Matar ou deixar viver

De volta pra fazenda, depois de um belo final de semana em Sampa, deparei me novamente com uma provocação. Uma provocação ao meu medo. Medo de cobra, medo do medo de medo de cobra!
Cochilava eu, depois do almoço, nesta quarta feira - dia de feriado pelos 212 anos da cidade de Paracatu, quando ouvi o barulho das galinhas e o acuar dos cachorros. Pedi pro Rone ver o que era. -“É uma cobra grande, vem aqui procê vê”. Cheguei na porta da cozinha e vi uma jibóia enorme debaixo da jabuticabeira! Quase dois metros de comprimento. Esta mais escura que a de outro dia da qual falei aqui. Fiz de tudo pra danada ir embora mas ela não quis saber! As galinhas não saiam de perto, pareciam atraídas pela serpente que bufava soltando um vapor feito fogão à gàs. Fiquei num dilema danado: matar ou deixar viver? E se ela pegar as galinhas? E se ela tentar vir pra dentro de casa? E se ela se acostumar aqui no quintal? E se ela me der uma bufada e eu ficar com vitiligo feito Michael Jackson? Foi assim que ele pegou aquela doença quando pegou na jibóia pela primeira vez! Vocês não acreditam? Pergunte aos mais velhos daqui pra vocês verem. Bufada de jibóia causa manchas na pele!Eles dizem!
Dei lhe algumas pedradas mas foi inútil, desisti e deixei a em paz. Quando viu que não havia ninguém por perto, trepou no pé de café e está lá até agora. O pior é que as galinhas dormem ali por perto, na jabuticabeira! Será o que vai acontecer? Será que ela vai descer à noite? E se entrar por debaixo da porta? Não, é muito grande, não caberia na fresta da porta! E se for pra minha cama?
A gente vai pra cidade e fica aprendendo outras culturas! Em outros tempos, não deixaria viver. Sendo cobra, não importava a raça, deveria morrer! Hoje sabemos que jibóia não é venenosa e que não oferece grandes perigos. Já vi muitos roqueiros cuidando de jibóias dentro de casa. Eu heim!
Devo ter pesadelo esta noite com a danada! Espero que seja leve!...
...tive que interromper o papo por um fato inusitado. Quando escrevia, sentado aqui no alpendre, dois pássaros enormes pousaram na grama. Maiores que qualquer galo, com crista branca e um grande rabo!
Coisa linda! Não resisti e tentei fotografá-los com o PC mesmo já que estou sem câmara, mas os cachorros os fizeram voar pra árvore de cinamomo. Que pena!! Só quem viu fui eu! Queria mostrar pra vocês! Creio tratar-se de mutuns ou Jaós. Já não conheço mais os bichos!
Outra coisa linda que está acontecendo é um ninho de pássaro-preto aqui no alpendre. A passarinha já se acostumou comigo aqui e fica quietinha no ninho. Não quis olhar mas acho que já tem ovinhos. Não sabia que a fêmea do pássaro-preto cantava! Ela sai do ninho cantando alegremente! Ou será que é o macho quem está chocando? Não sei! Eu nunca sei de nada! só observo!
É a natureza em festa depois da chuva! Tudo se renova e alegra! Acho que até mesmo nós, quando chega a primavera ganhamos vida nova, nova casca, nova pele, novo ânimo!
.Vamos nessa que os vagalumes estão acesos. Cada um, enorme! Mas mesmo noite, as cigarras continuam com a cantoria de uma nota só....Miiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

domingo, 3 de outubro de 2010

Domingão de eleição!

As cidades estão lotadas, todas por este Brasil a fora! É o povo da roça que vai para a cidade votar, por obrigação. É o povo distante que vem votar no interior. Tudo vira uma festa!Uma verdadeira farra com grana particular que depois deve se devolvida em favores! Nunca gostei desta obrigatoriedade do voto! Acho ditatorial! Ninguém deve ser obrigado a fazer ou a deixar de fazer qualquer coisa (senão em virtude de lei) eis a questão, ela está aí! Enquanto somos obrigados, vamos cumprindo nosso dever cívico, voltando em Tiriricas e Netinhos até que resolvam a acabar com este absurdo da obrigatoriedade do voto. Será que não entenderam este sinal?
Tive que deixar meu sossego da fazenda para vir para Paracatu votar neste domingo. O pior, sem nenhuma vontade de faze-lo, já que os candidatos não me são simpáticos. Nenhum deles para Presidente nem para Governador dos Gerais das Minas. Na pior das hipóteses, depositei um voto na Marina. Não um voto de protesto como quase dos vinte por cento dos eleitores fizeram, mas por sempre gostar dos “frascos e comprimidos”. Passei minha vida toda votando no PT até que este chegou ao poder e perdeu a originalidade! Agora fiz a opção de votar no PV até que ele chegue lá e aconteça a mesma coisa. Como somos obrigados, vamos fazendo assim, enganando nos e aos que pensam que estão prontos para governar. Por aqui o esperado aconteceu: O “primo” Almir Paraca conseguiu a reeleição para Deputado Estadual. Merecido! é um cara muito carismático e que pode ir longe neste mundo da política. Na sexta, fiquei conhecendo seu pai que me abordou no mercado e me perguntou se eu não era filho do seu Agenério. Fiquei surpreso por alguém ainda se lembrar do nome do meu pai que se foi a mais de quarenta e cinco anos. Lembrava me do nome dele, seu Juarez, mas não da fisionomia. Realmente foi um grande prazer conhece-lo e ser reconhecido pelo mesmo! Deve estar, neste momento, orgulhoso do filho por ser reeleito! Parabéns à família! Tutti buena gente! Agora podemos começar a campanha do seu irmão Jueli para Prefeito de Paracatu... Vamos nessa! Aqui no Estado, para Governador, deu Anastasia, candidato do Aércio que mostrou para o Lula que em Minas, mandam os mineiros!Ainda!
Serra, serra, cerrador, quantas tábuas já serrou? Não é de ver que o antipático do Serra está indo para o segundo turno? Se cuida PT que o caldo vai engrossar!
Vou nessa, que ficar na cidade neste domingão, o primeiro desde que voltei,não é muito fácil! Ninguém merece!
Abraços e boa semana a todos!