Hoje, pela manhã, depois do meu café, fui fazer um cigarrim de palha e me lembrei de uma figura aqui da vizinhança. Dizem que ele nunca gostou de trabalhar, mas hoje concluí que ele não encontrou foi a profissão certa! Sim, não há ninguém preguiçoso, o que falta é encontrar oportunidade de se fazer aquilo que se gosta! Vide Dorival Caymmi e outros!
Esse meu amigo, seria um ótimo selecionador de palha de pito! Daria um ótimo profissional! Agora que estão vendendo estes cigarros prontos, ele seria uma mão de obra preparadíssima! Fez isso a vida toda!
Como escolhe bem uma palha sem auréola e fininha parecendo uma seda! Não tira da espiga não! Ele separa as espigas certas e desfolha elas até ficar na camada de palhas das boas! Passou por aqui esses dias e deixou umas separadas, esquecidas em cima do forno de lenha. Parecia seda!
Enrolei meu cigarrinho e fui fazer caminhada pensando nele! Nele e no danado do cigarro que estou tentando abandonar! Mas convenhamos, um cigarrin de palha bem feitin dá gosto!
Ele era assim: Sempre que chegávamos em sua casa, a qualquer hora do dia ou da noite, ele estava lá, sentado na canastra de madeira da sala fumando seu palheiro e batendo as botinas na caixa. Sempre engomadin: camisa branca de algodão cru bem passadinha, calça de tergal escura com quina, chapéu de lebre, botina das mateiras sempre limpinha e cabelo e barba bem aparados! Era um verdadeiro galã. O típico mineiro daqui da nossa região. Sempre um bom causo para contar enquanto tragava a fumaça!
Não é à toa que namora até nos dias de hoje... Agora está aposentado e continua com os mesmos zelos e manias!
Esse sabe viver!!!
E a noite chegou....
E a água continua caindo da caixa, sempre no mesmo ritmo!!
Boa semana a todos!!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
E o disco está a caminho
Neste carnaval aproveitei para gravar mais umas participações especiais no meu disco.
Fui até Araguari onde fisguei os parceiros: Luiz Salgado, Adolfo Figueiredo, Lilian Fulô, Vânia e ainda o Marcos Querubim do grupo Emcantar para levar ao estúdio. Gravamos a música “pomar” que está ficando bonitinha! Luiz, Antônio e Fulô me receberam em sua casinha, deles, muito aconchegante, bonitinha mesm!!!! Passei três dias lá muito bons! só curtindo os amigos e fazendo umas cantorias. Gravamos e no outro dia , depois de pegar um almoço (franguinho caipira) na casa dos do “Trem das Gerais”, retornei com a missão cumprida. E o disco está a caminho!
Nesta minha estada lá pelo triângulo ainda tive a oportunidade de prestigiar o amigo Pena Branca comparecendo à sua missa de sétimo dia em Uberlândia onde Luiz, Tarcisio Mano Véi e outros parceiros dele lhes fizeram uma bonita homenagem cantando, no final da missa, algumas músicas que fizeram sucesso com eles: Pena Branca e Xavantinho.
Agora carnaval passou e aqui estou no meu cantinho de sossego. A noite começa a chegar e a água da caixa caindo sempre no mesmo ritmo!
Fui até Araguari onde fisguei os parceiros: Luiz Salgado, Adolfo Figueiredo, Lilian Fulô, Vânia e ainda o Marcos Querubim do grupo Emcantar para levar ao estúdio. Gravamos a música “pomar” que está ficando bonitinha! Luiz, Antônio e Fulô me receberam em sua casinha, deles, muito aconchegante, bonitinha mesm!!!! Passei três dias lá muito bons! só curtindo os amigos e fazendo umas cantorias. Gravamos e no outro dia , depois de pegar um almoço (franguinho caipira) na casa dos do “Trem das Gerais”, retornei com a missão cumprida. E o disco está a caminho!
Nesta minha estada lá pelo triângulo ainda tive a oportunidade de prestigiar o amigo Pena Branca comparecendo à sua missa de sétimo dia em Uberlândia onde Luiz, Tarcisio Mano Véi e outros parceiros dele lhes fizeram uma bonita homenagem cantando, no final da missa, algumas músicas que fizeram sucesso com eles: Pena Branca e Xavantinho.
Agora carnaval passou e aqui estou no meu cantinho de sossego. A noite começa a chegar e a água da caixa caindo sempre no mesmo ritmo!
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Mano Véi

Hoje acordei mais cedo e fui fazer minha tradicional caminhada. Voltei aliviado e tomei meu café para ir pro trabalho até que bem contente. Chegando lá, abrindo a internet, deparei me com a notícia da "passagem" do Pena Branca. Fiquei embasbacado!
Como é que pode? Que pena, perdemos o Pena!! Tão cheio de vida partir assim fora do combinado! Fiquei chocado!
Realmente não sabemos de nada, por isso é melhor viver da melhor maneira possível enquanto é tempo! Foi chamado pra voltar a fazer dupla com o mano Xavantinho. As duplas tem esta manina: separam e voltam!
Conheci o Pena em São Paulo há uns anos atrás. Primeiro pela TV quando apareceu com o irmão Xavantinho cantando "Cio da Terra" daquela maneira bem singela! Fiquei logo fã da dupla. Depois de alguns anos o conhecí no programa da Tia Inezita Barroso a quem ele,carinhosamente,chamava de madrinha. Gostei mais ainda da figura simpática dele. Nesta ocasião o Xavantinho já tinha partido.
Numa outra época, levei, lá mesmo pra TV Cultura a letra de "Carta ao velho Rosa" para ele musicar. O Luiz Salgado, nosso parceiro e grande amigo do Pena, que também estava lá aquele dia gravando o "Viola", acabou ficando com ela e musicando junto com o compadre Adolfo.
Noutra oportunidade o encontrei no metrô voltando pra Zona Norte e batemos um papo muito legal!
A partir deles, daquela música simples, é que comecei a compor com menos preocupação estética e com mais coração. Até então eu não sabia da força que tinha o "mano Véi" (maneira que ele chamava a todos), foi num show de lançamento do CD do Amigo Claudio Lacerda, lá no Sesc Pompea, que ele me impressionou de vez: quando foi chamado ao palco para fazer sua participação com o Claudio, ele entrou todo de branco e junto, já veio aquela energia boa que me fez arrepiar antes mesmo de ele cantar!
Quando cantou então, parecia que tava saindo de uma casinha de sapé com aquela áura iluminada encantando a todos como sempre fez! Foi genial! Aí que vi a beleza refletida no simples!
Perdemos todos com sua partida. A música atual está muito chata e, para amenizar um pouco, havia esta figura linda que nos remetia às nossas raizes.
Ficamos com sua música e com sua voz imortal! Vamos tocar a vida e a viola pra frente!
Descanse em Paz mano véi, depois de matar a saudade com umas cantorias com o mano Xavantinho!!
Obrigado por tudo que você fez por e para nós, pobres músicos regionais, caipiras de fato!!
Um abraço
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Vestigios
Estou de volta de Sampa. Fui levar a família para a volta às aulas. Pela manhã deixei a Mariana na escola e fui dar uma caminhada pela avenida Brás Leme, lá mesmo no bairro de Santana. Fui rever meu abacateiro! O que plantei lá quando parti. Já falei aqui sobre isso. Suspeito que ele tenha morrido. No lugar onde o plantei só vi o sinal: Uma ripinha para escora que foi colocada pelo Sr Antonio, o cultivador lá daqueles lindos canteiros! Ele plantou tantos no mesmo dia que já não sei o certo se o que morreu foi mesmo o que plantei, embora tenha marcado mais ou menos o lugar. Fiquei meio triste por isso. Vai ver, ele não quis fincar raízes por lá! Também não fiquei lá para regá-lo, acompanhar seu crescimento! Pode ser que tenha mesmo morrido. Preferi pensar que estava enganado quanto ao lugar! Que ele é um dos que estão lá bonito criando raízes!
A saída de São Paulo foi lacrimejante! Aquele nó na garganta na hora da despedida que só sabe aquele que já partiu um dia! Antes era ao contrário: ao sair de Minas íamos embora com aquele nó! Agora é a saída de São Paulo! Que seja por pouco tempo assim! É muito difícil pra nós todos!
Lá, aproveitei e gravei com o Lucas a sua participação no meu disco.
Foi lindo! Momento histórico para os dois! Nem nos preocupamos muito com a parte técnica da canção. Deixei que suasse o mais natural possível, como somos! Minha preocupação maior era a de registrar aquele momento: nós dois cantando juntos!
Antes, ficamos o domingo todo em casa, curtindo nosso pequeno apartamento como se quiséssemos todos, matar a saudade de nossa vivência ali nos anos todos que se passaram desde que as crianças nasceram. Os três moleques no quarto e eu e Eliana em nossa velha cama de gavetas discutindo sobre deixar ou não a janela aberta. Ela não gosta do calor e eu do barulho da rua. Nunca chegamos a um acordo sobre isso!
Vez em quando me pegava sozinho olhando pela janela e comparando os cenários: o que tenho aqui na roça, o de Paracatu e o de São Paulo. Quantas vezes contemplei aquele cenário a espera de uma mudança! Sabia que alguma coisa ia acontecer mas nem imaginava que seria a minha volta. Há coisas que, apesar do nosso livre arbítrio, não decidimos, somos levados a fazer sem saber mesmo o porquê! Tentei comprar outro imóvel lá, fiquei dois anos tentando mudar de casa, mas não foi nada disto que aconteceu. De repente estou aqui nas Gerais e a família lá! Coisas da vida! Tenho certeza que um dia saberei o porquê!
Foi muito bom os quase dois meses que passamos juntos aqui nestas férias! Curtimos muito!
Logo estarão de volta, o tempo parece voar!
Saí de Sampa as dez da manhã e cheguei na fazenda antes de escurecer. Os cachorros foram me encontrar na estrada e fizeram aquela festa costumeira! Pararam logo quando perceberam que eu estava só, que a Eliana e as crianças não estavam.
Ficaram meio sem graças mas gostaram de me ver!
Já na grama da porta, os vestígios foram aparecendo: os paus dos gols fincados pelo João Paulo e pelo Ângelo, o repelente esquecido na janela da cozinha; uma meia debaixo da mesa; as toalhas dependuradas esquecidas nas portas dos quartos; uma “coisinha” vermelha de amarrar cabelo; o mosquiteiro da Mari mas, o mais marcante, foi ver a minha cama ainda arrumada com dois travesseiros! Esta cena que me levou a contar pra vocês esse meu viver solitário. Mas não pensem que estou triste, estou simplesmente aprendendo a só ser!
Valeu Eliana, apesar de não termos de dado folga na cozinha, você nos faz mais alegres sempre!
Foram dias muito felizes que passamos aqui e que se repetirão brevemente!
E viva a vida que ela continua genial!!!
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