Hoje me sentei, à tarde, na beira do córrego aqui da roça. O “do carneiro”, o menorzin.
Fiquei lá sentado numa pedra ouvindo o som da água correr, passar despreocupada pelas pedras e seguir rumo ao “das galinhas” onde vai aumentar o volume até chegar ao encontro do do “lambedor” e formar o da “samambaia”. Daí vão cair no do “rio verde” que vai se juntar ao do São Marcos ou o do “Paranaíba” um dos dois, aí vão ganhando outras águas cujos nomes desconheço e vão seguindo seus caminhos até o mar.
Fiquei viajando nas águas! Coisa boa e prazerosa de se fazer!
Aquele barulhinho bom de água correndo nas pedras! Dá pra imaginar como é?
Vez em quando piava um passarin nas margens. Um Martin pescador talvez. Um outro passarin que pia engraçado, piava e se calava, piava e se calava. Ele dizia: queij frit....dava uma pausa sempre da mesma duração e falava de novo: queij frit. Queijo frito (coisa do Galba) . Eu o ouvi uma vez arremedando este pássaro com esta onomatopéia. E o pior é que parece mesmo que ele fala assim, sem os “o” final. Coisa de passarin mineiro.
O Galba é ótimo para apelidar as coisas! O ultimo cachorro dele, pra vocês terem uma idéia, chamava se “Nastrormagário“, pode?
Pois é, fiquei ali por quase uma hora fugindo do barulho da casa e me procurando na beira daquele riachinho. Voltei outro! Ali estava pensando no que disse Heráclito sobre as águas de um rio, (Acho que foi este filósofo grego mesmo, caso me engano, corrijam me), que disse que á água de um rio que passa “nunca é a mesma”. Passou aquela, no segundo seguinte já são outras que passam. Assim somos nós! Sempre renovando.
Aliás, esta semana recebi uma mensagem linda sobre a velhice: “Não temos idade, temos vivência”!
Fiquei ali pensando de como era aquele corguinho nos anos setenta: bem maior, muito mais água!
Nadávamos nos pocinhos que se formavam. Tinha o poço do ingá, o do carneiro, o do açude. Hoje já não há mais poços. Água pouca. Será por quê? Não desmatamos, não desviamos seu curso, não açoriamos. Deve ser mesmo sinal dos tempos ou o efeito estufa. Imagino que ele tinha o dobro de volume de água naqueles tempos. Talvez eu esteja enganado pois, quando crianças, enxergamos as coisas bem maiores que realmente são. Ou as enxergamos no real e depois de velhos distorcemos as dimensões?
Como será este córrego daqui a mais uns trinta anos? Ainda existirá? Talvez!
À noite vou dormir e fico escutando o barulho da água caindo na caixa d’água
Será o barulho da água ou o barulho da caixa?
Ou será o barulho da água que se encaixa?
Enquanto isso, deixa as águas correrem que eu também vou nessa!
Fui..
segunda-feira, 1 de junho de 2009
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3 comentários:
eita cabra bão!
sempre fico emocionado, lendo estas
linhas, parece que é ao vivo.
ta bunito!bunitao.
Que visão esse seu conto real. Me fez lembrar de uma vez em que ia para Guarda-Mor e escutava uma música de Titane..."o mar de Minas não é no mar...o mar de Minas é o céu...pro mundo olhar pra cima e navegar..." Seus "causos" tão belamente contados nos faz viajar por essas terras abençoadas! E aí eu lembro..."Viva a vida, ela é genial!" Fui...
Zi, Galba, muito obrigado pela força de vocês...
Vamos viajando então nessa, juntos...
Abraços
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