segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Já, já, ó

Peguei o hábito de me sentar aqui no alpendre nos finais de tarde dos domingos e escrever um pouco sobre essa minha vida no interior. Vocês devem estar pensando que estou triste, que só falo de coisas tristes, mas é o momento em que escrevo! Final de tarde na fazenda não tem como não ser triste: É o curiango que começa a piar; a jaó que canta triste lá perto do córrego; as saracuras que escandalizam no canto estridente cortando o silêncio e as galinhas procurando poleiro deixando os pintos para trás como já lhes contei. Além disso, temos os grilos que começam a afinar a orquestra para tocar a noite inteira e, quando pego na viola para tocar assim a tarde, é inevitável tocar alguma coisa também dolente! Mas temos também os momentos de alegria e prazer, como contemplar minha plantação de estrelas; viajar a noite com a lua me acompanhando por toda estrada, etc...
Hoje por exemplo, levantei me cedo, acendi o fogão a lenha, fiz café, coloquei o feijão para cozinhar e fui para o curral ver o gado. Tomei leite fresco e vi os bezerrinhos correndo alegres feito crianças brincando!
De lá do curral vi a fumaça subindo pela chaminé ! Isso pra mim é um sinal e um momento de grande felicidade! Gosto de ver a fumaça saindo de uma chaminé numa casa de fazenda assim de manhazinha! É sinal de vida, de presença, de saúde!
Fiz minha caminhada matinal seguido pela tigresa e Ramires. Corriam na frente, tentavam caçar alguma coisa e logo voltavam seguindo meus passos. Vi um bando de araras passando gritando feito um bando de mulheres numa festa!
Na volta, passei no Corguinho, bebi água fresca e vi os cachorros se refrescarem deliciosamente dentro do poço!
Depois, quando fazia o almoço, tomando meu vinho costumeiro, vi um casal de periquitos bebendo água e se banhando na caixa d’água, coisa linda, merecia uma bela fotografia! E um passarinzin vermelho que fica o tempo todo na cerda de arame? É lindo! Sempre só! Nunca o vi acompanhado mas está sempre dando pulinhos pra cima para apanhar insetos e voltar ao pouso. Acho que ele é da família dos tsius, dos chupões. A sua companheira, dele, deve estar chocando!
Ele é vermelhinho com um pouco de azul nas costas. Seria um tié sangue? Não sei. É muito hermoso!
E o capim então, a grama do pátio? Depois da chuva que caiu durante a semana que passou ficou verdinha! Agradeceu demais pela chuva! As jabuticabeiras então até floriram de repente!
Tomara que continue a chover. Que a chaminé continue a soltar a nossa fumaça de paz!
Mas a jaó continua pianto triste: “já, já ó”...

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