
Nesta sexta, dia 26, dona Ana finalmente partiu!
Foi desta para a melhor! Quero aqui deixar minha homenagem à matriarca dos Cordeiros.
Uma mulher que, embora vivesse sempre alegre, gostava de pedir para partir. Finalmente chegou o grande dia, para ela. Para nós, ficamos aqui e vamos sentir muitas saudades!
Conheci Dona Ana Cordeiro por volta de 1985 quando comecei a namorar Eliana, uma de suas netas. Impressionaram me seu bom humor e sua independência. Era muito forte e racional como os demais Cordeiros!
Mulher de fibra, destemida. Ficava sozinha a maior parte do tempo onde morava numa casinha geminada numa vila frente ao hospital mandaqui em São Paulo.
Isso já com setenta e poucos anos.
Eliana morou um tempo com ela. E eu, quando tinha folga na noitada de músico, ia pra lá às sextas feiras assistir à filmes e fazer companhia para as duas. Bons tempos aqueles! Gostava daquele programa! Tanto que acabei entrando de vez na família Cordeiro.
Vez em quando almoçava lá: carne moída com chuchu! Como ela adorava chuchu! dizia ser este o segredo de sua longevidade. Comia chuchu quase todos os dias cortados em grandes fatias em forma de salada.
Aos poucos me afeiçoei a ela e ela a mim. Dizia ser apaixonada por mim, que eu era um menino de ouro!
Quando voltamos de Portugal, moramos lá alguns meses. Sempre me tratou com muito carinho!
Gostava de bater papo com ela, saber das coisas do passado; de como era São Paulo nos anos 30 e outras passagens de sua vida.
Ficávamos longas horas conversando e ela me contando de como vivia naquele tempo. Chegara da roça com uns treze anos de idade. Passeava pelas ruas do bairro de Santana tocando o gado que dormia no meio da rua.
Adorava recordar estas passagens! Dos passeios de bonde me falava com muita saudade!
Nasceu e foi criada numa fazenda de café, se não me engano dos "Setúbal", no interior de São Paulo.
Contava que já panhara muito café quando criança, que trabalhara muito na infância!.
Quando a conheci, seu Zé, seu marido já havia partido. Ela vivia pedindo para ir também ficar junto dele. Falava que estava fazendo hora extra.
Mas Deus lhe deu mais uns vinte e cinco longos anos de vida.
Adorava me ver cantar e ao Galba também! Gostava muito da música de Gilson e Joran, aquela que diz: "ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, só pra ver o sol nascer" Ela cantava: "só pra ver o meu amor". Cantava e ria! Às vezes chorava também de saudades dos bons tempos!
Adorava também as marchinhas de carnaval, sabia várias dela.
Me recordo com saudades de um carnaval que passamos num sitio em Mococa em que ela passou a noite inteira cantando comigo as marchas carnavalescas.Isso com 90 anos.
Um dia,num churrasco em casa, o pessoal pegava no meu pé que eu estava bebendo e fumando, então ela disse: "deixa o menino morrer vivendo"! Achei genial esta frase que acabou entrando numa letra minha "Ontem é hoje, amanhã já passou". Morrer vivendo no sentido de viver com alegria e fazendo o que se gosta. E é o que tenho tentado fazer desde então!
Vamos sentir muitas saudades de você vó! Partiu na véspera de completar 98 anos.
Vá com Deus e encontre seu Zé para voltar a ser feliz!
Nós vamos ficando por aqui que está muito bom também!
Show em Paracatu
Foi muito bom o show que fizemos em Paracatu nesta sexta dentro do projeto “Vida de viajante”! Finalmente mostrei meu trabalho para um número maior de Paracatuanos! Curti muito tocar e vamos colocar os pés na estrada!
Aviso do próximo show logo, logo.]
Abraços
3 comentários:
Dona Ana, exemplo de vida com alegria , simplicidade e humanismo. Descanse em paz!!!!!!!!!
como sempre vc me emociona, muito linda sua homenagem. Vó Ana ,grande mulher que saudades.
Pois é mano! Esta é a lei natural das coisas. Nascemos, vivemos, bem ou mal, mas vivemos. E, um dia com certeza daqui partimos. Dizem alguns que é para melhor. Mas tenho lá minhas dúvidas. Só conheci a vó Ana, através de ouvir vcs falarem nela, mesmo assim sentia um certo carinho por ela. E, uma certeza fica, foi-se uma grande enciclopédia de conhecimentos.
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