Neste sábado acabou a energia elétrica lá na roça. Foi à tarde devido à chuvarada e alguns raios que caíram na região. Fiquei só, no inicio da noite, e não senti medo. Acho que ele está mesmo indo embora! Pude relembrar um pouco de quando ainda não tínhamos energia elétrica. Sentávamos no alpendre no escuro e ficávamos conversando até tarde vendo os vaga lumes cintilando pelo gramado e ouvindo a sinfonia dos sapos.
Nossa mãe não gostava que levássemos a lamparina para o alpendre. Ela ficava acesa lá na cozinha ou na sala. Dona Leonídia preferia ficar no escuro, dizia que, no escuro podia ver melhor, além de economizar querosene que era o combustível usado nas lamparinas.
Nossa mãe tinha cada uma! ela gostava de dizer algumas frases prontas para deixar a gente pensando. Dizia, quando estava em algum carro viajando: "vá devagar que estou com pressa"! Saudades Dona Leonídia!
Quanto medo já passei ali em casa na roça ouvindo estórias de assombração e outros casos que contavam os mais velhos. Tínhamos um vizinho que morava não muito perto e que ia lá pra casa ao entardecer e ficava lá até por volta da meia noite contando aqueles causos de arrepiar os cabelos. Nunca entrava, chegava, amarrava a mula lá no barracão e sentava ali no alpendre, calçado de esporas, e ficava lá proseando com os adultos. O máximo que se permitia fazer era entrar na anti sala e tomar água no filtro de barro. Nunca ia até a cozinha!
Depois de várias estórias pegava sua mula e ia embora no meio da escuridão. Dizia que não precisava enxergar nada pois a mula já sabia o caminho.
Nós, o meninos, ficávamos apavorados debaixo das cobertas e aquele fazendeiro cortando o chapadão no meio do escuro. Chamava se Zé Leivino,também já passou desta para a melhor!
Éh, o tempo passou e hoje tudo mudou! então, um pouquinho de momentos assim para relembrar nos faz muito bem!
Sem luz elétrica, acendi uma vela e levei pro alpendre. Não ventava e, à luz dela, pude ficar ali tocando um pouco e escrevendo alguns rabiscos de idéias que me vinham à cabeça. Tomando umas tacinhas viajei no tempo até que a vela se apagou por inteiro. Daí fui dormir ouvindo o som da chuva no telhado e me lembrando daquele tempo.
No domingo a luz voltou e tudo ficou como dantes!
Esta semana chega nosso CD. Quem se interessar já estou aceitando encomendas.
Boa semana à todos!
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
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4 comentários:
Vc jura que não sentiu mesmo nem um friozinho na espinha no meio daquela escuridão e daquele silêncio assustador?
Acho que escreveu para disfarçar a presença do Zé Levino e outros.
E quando ouviu o xiadinho da espora do Zé de Levino no cimento da sala? Fala sério!
Não, não tive nenhum medo!
Fiquei de boa!
Abraços
ficou de boa? hahaha ta aprendendo
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