terça-feira, 22 de março de 2011

E S T A D O D E M I N A S ● T E R Ç A - F E I R A , 2 2 D E M A R Ç O D E 2 0 1 1
CULTURA

AILTON MAGIOLI
DISCO
Homenagem para Rosa
Da tradicional toada mineira à
desgastada balada urbana, o cantor,
compositor e instrumentista
Pedro Antônio resolveu abrir o jogo
em Carta ao velho Rosa. Está
lançando seu primeiro disco solo
independente desde que trocou
São Paulo pela Paracatu natal. “Viver,
amigo Rosa/Se já era perigoso,
ficou muito mais custoso, não se
arranja nem peão/ Já não posso
com mais nada, minha velha já
nem fia/ Então a gente desconfia
que é o fim dessa meada”, desabafa
já na faixa-título. Com mais de
sete minutos de duração, para a
surpresa do artista,a canção costuma
tocar em emissoras de rádio do
Noroeste mineiro.
Produzido pelo paulistano
Luiz Waack, ex-guitarrista de Itamar Assumpção,
e distribuído nacionalmente
pela Tratore,o disco,
explica Pedro, deu-lhe a oportunidade
de manifestar a influência
do autor de Grande sertão: veredas em sua música,
de sonoridade assumidamente interiorana, porém
com capacidade de tocar ouvintes
universalmente.
“A faixa-título já vinha sendo
trabalhada em festivais”, revela o
cantor. Para se adaptar mais adequadamente
ao universo de Guimarães
Rosa, aderiu à viola há
cerca de dois anos. “Relutei um
pouco, pois não queria ser mais
um violeiro, mas acabei me dando
uma de presente, depois de
ganhar a letra de Joana, de Consuelo
de Paula”, conta.
Galba (São sertões), Zé Alexandre
(Alpendre), Luiz Salgado e
Adolfo Figueiredo (Carta ao velho
Rosa), Paulo Delfino (Morenamérica),
Luiz Salgado e Antônio José
Guimarães (De lua e chuva), Luiz
Salgado e Adolfo Figueiredo (Pomar)
são os outros parceiros da
empreitada rumo ao universo
mágico de Guimarães Rosa. Sozinho,
Pedro assina as faixas Pedrinhas,
Palavras não, Procurando
paz, Cipreste,Cantadores do cerrado,
Além do nariz e Ontem é hoje,
amanhãjá passou.
A fazenda herdada no município de Guarda-
Mor,vizinho a Paracatu,
e a saturação do mercado profissional
paulistano convenceram
Pedro Antônio avoltar à terra natal,
deixando acarreira no grupo Terramérica,
de música latino-americana.
Paralelamente à carreira solo, o
cantor prossegue com o grupo Mina
das Minas (com o qual morou
dois anos em Portugal).
A falta de espaços para shows
no interior de Minas levou o artista
a criar, em parceria com o Sindicato
Rural de Paracatu,o projeto
Vida de viajante, que tem contribuído
para movimentar vida
cultural da cidade de 88 mil habitantes.
“É trabalho de formiguinha”,
conclui. (AM)
FRANCIS/LUCAS FOTO/

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