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sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Agradecimentos
Muito obrigado aos amigos que foram nesta nossa mais recente cantoria. Fiquei feliz em revê-los todos. Foi muito bom pra nós este pequeno show! Pude apresentar minhas músicas novas e outros autores e todos cantamos juntos, muito legal!!!
Um grande abraço e até um próximo
Um grande abraço e até um próximo
Parcerias
Quero aqui deixar o meu agradecimento aos parceiros de composições que muito me têm dado alegrias, além de belas músicas.
A mais recente é a cantadeira, rainha, Consuelo de Paula com quem fiz a música "Joana".
Uma bela poesia onde estreei como violeiro. Minha primeira composição de viola, instrumento pelo qual ando apaixonado. Obrigado Consuelo pela referência à minha pessoa no seu blog.
Recebi também os novos discos dos parceiros Luiz Salgado e Waldemar Gavião: muito bons!!
Recomendo a quem gosta de boa música. Gavião é dono de uma prosa "roseana" que admiro muito! O Luiz é um grande parceiro com o qual fiz várias músicas, dentre elas "carta ao velho Rosa". Tive o privilégio de cantar com ele neste novo disco a música "Gira girou" (João Bá/Gereba), muito legal. Vocês podem encontrar os discos procurando nos sites destes cantadores.
Um grande abraço
A mais recente é a cantadeira, rainha, Consuelo de Paula com quem fiz a música "Joana".
Uma bela poesia onde estreei como violeiro. Minha primeira composição de viola, instrumento pelo qual ando apaixonado. Obrigado Consuelo pela referência à minha pessoa no seu blog.
Recebi também os novos discos dos parceiros Luiz Salgado e Waldemar Gavião: muito bons!!
Recomendo a quem gosta de boa música. Gavião é dono de uma prosa "roseana" que admiro muito! O Luiz é um grande parceiro com o qual fiz várias músicas, dentre elas "carta ao velho Rosa". Tive o privilégio de cantar com ele neste novo disco a música "Gira girou" (João Bá/Gereba), muito legal. Vocês podem encontrar os discos procurando nos sites destes cantadores.
Um grande abraço
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Caipira sim, breganejo não
Neste sábado tem cantoria: Pedro & Galba na Taberna Aldeia dos ventos no Tatuapé aqui na capital.
O Nome do show: "Caipira sim, breganejo não" talvez seja a assunção de meu lado caipira de fato, em oposição à música breganeja que se faz hoje. Breganeja no sentido de sertanejo brega, o que dá dinheiro e que faz surgir novas duplas todos os dias.
Por que não faço breganejo se é o que todos fazem e que dá grana?
Porquê sou do contra, se alguém já está fazendo, faço o contrário sempre...
O Nome do show: "Caipira sim, breganejo não" talvez seja a assunção de meu lado caipira de fato, em oposição à música breganeja que se faz hoje. Breganeja no sentido de sertanejo brega, o que dá dinheiro e que faz surgir novas duplas todos os dias.
Por que não faço breganejo se é o que todos fazem e que dá grana?
Porquê sou do contra, se alguém já está fazendo, faço o contrário sempre...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Reminiscências
Pensar?
Penso muito, demais
Escrever é o que quase não faço
Não tenho muito jeito com as palavras
Elas se escondem de mim.
Talvez por que sempre falei pouco!
Acho que nunca as encontrei de verdade,
frente a frente, olho a olho.
Quando tento frasear, digo o que não devo
O que quero dizer fica assim: calado, escondido por trás desses olhos
Alguém pode até ler, entender o que penso.
Pensamentos meus vêm tortos, desalinhados
Tudo quase ao mesmo tempo, combinado
Trazidos por reminiscências do passado
Fico ruminando o tempo todo feito gado descansando na saída do páteo.
Que poeta que nada sou!
Se não vem prontinho, arrumadinho o texto, nada feito.
Não escrevo. Não sei trabalhar palavra por palavra,
frase por frase
Vez por outra vem, não sei de onde
coisa pronta, alinhadinha
É só passar pro papel.
Fico tentando descobrir de onde vem
pra buscar mais, com mais frequência
Não sei, vem quando menos espero
Em qualquer lugar e às vezes fora de hora
e se esgotam assim quando escrevo
Tenho que esperar outro momento
E assim vou enganando aqueles
Que pensam que sou poeta
Penso muito, demais
Escrever é o que quase não faço
Não tenho muito jeito com as palavras
Elas se escondem de mim.
Talvez por que sempre falei pouco!
Acho que nunca as encontrei de verdade,
frente a frente, olho a olho.
Quando tento frasear, digo o que não devo
O que quero dizer fica assim: calado, escondido por trás desses olhos
Alguém pode até ler, entender o que penso.
Pensamentos meus vêm tortos, desalinhados
Tudo quase ao mesmo tempo, combinado
Trazidos por reminiscências do passado
Fico ruminando o tempo todo feito gado descansando na saída do páteo.
Que poeta que nada sou!
Se não vem prontinho, arrumadinho o texto, nada feito.
Não escrevo. Não sei trabalhar palavra por palavra,
frase por frase
Vez por outra vem, não sei de onde
coisa pronta, alinhadinha
É só passar pro papel.
Fico tentando descobrir de onde vem
pra buscar mais, com mais frequência
Não sei, vem quando menos espero
Em qualquer lugar e às vezes fora de hora
e se esgotam assim quando escrevo
Tenho que esperar outro momento
E assim vou enganando aqueles
Que pensam que sou poeta
Eta cavalinho besta sô
ÊTA CAVALIN BESTA SÔ!!!
Eu tenho um cavalinho, desses assim: comum, pequeno, russo, meio queimadinho, quase branco, mansinnho mansin que vive lá em casa na roça. Ele é meio bobo: não sai da porta. Não sei se é por que vive sozinho e gosta da companhia e do barulho da casa, ou é por que gosta mesmo de servir.
Os meninos usam e abusam dele. Puseram até um nome nele: ferradura (está sempre atrás da porta).
Apanhei ele há uns dez anos atrás do véi Luça: um velho cheirador de pó que morava lá pras bandas da ponte-natureza. Dei um bezerro de ano nele. Foi até o Marquinho meu cunhado que fez o catira. O negócio foi até bom: na “orelha”, ninguém tomou manta. Achei que tinha ficado no prejuízo por que o danado do cavalo era muito pequeno e mirradin. Mas o garrotinho também tinha acabado de desmamar e não era lá essas coisas. Depois o ferradura foi encorpando e aprendendo a lidar com gado, ficou bom de carroça e com essa vantagem: com tanto pasto pra ele andar e se esconder, preferia ficar ali no pátio. Costume dele. Só saía pra ir ao vau da aguada beber uns goles e dar uma refrescada, pastava um pouquinho por ali e logo voltava pra porta.
Um dia desses sonhei que tinha chegado numa cidade grande montado nele. Fui na casa de um amigo que hoje mora em Porto Alegre, mas não reconheci que cidade era aquela. Era uma cidade bem grande que também não era São Paulo.
Só sei que cheguei assim: chapéu na cabeça e calçado com um par de esporas.
Parei na esquina d`um bequinho e desarriei o ferradura. Tinha uma estaca fincada na beira da calçada e ali mesmo pendurei a traia: arreio, bacheiro, rédea e as esporas.
Assim pro fundo do beco era uma vilinha com casa dos dois lados e no meio uma ruela com calçamento de pedra, aquelas pretas bem aparadinhas nos cantos.E tinha bastante touceira de grama brotando ali por entre as pedras. Avistei até uma égua ruzia muito bonita pastando mais no fundo do beco.
Soltei o ferradura e atravessei a rua. A casa era a da esquina, a primeira da entrada da rua. Um casa amarela com alpendre grande e muita gente lá dentro. Ouvi até a voz do Márcio, meu companheiro de música, lá no fundo da cozinha. Ria alto com gosto. Daquele jeito dele. Meu amigo não tava, mas tinha muitas irmãs e amigas no alpendre conversando. Umas bonitas, outras mais rulicinhas. Fui logo me apresentando, assim meio sem jeito fui salvando todo mundo.
Vi logo que uma galegona, a mais bonita, deu de puxar conversa comigo. Queria saber quem eu era; de onde conhecia seu irmão! E eu fui contando que o irmão dela tinha morado junto comigo e minha turma de músicos numa república lá em São Paulo e que depois foi embora pra Portugal e eu não o vi mais.Mas falei que queria muito encontrar com ele e assim o papo foi ficando melhor.
Uma vez, depois de ter tomado um cafezin, acendi um paiero e saí pra ver o ferradura.
Tava lá no fundo amadrinhando com a égua. Dei umas tragadas, joguei o cigarro fora e voltei pro Alpendre. Até me chamaram para entrar, mas dali eu não passava. Conversa boa com a moçada. Nisso papo vai, papo vem, o meu amigo não chega, proseei mais com a galegona até que resolvi dar mais uma olhada no cavalo. Queria arriar, já deixar pronto pra ir embora. Já não o avistei no fundo da rua. Fiquei imaginando: deve ter ido beber água e daqui a pouco ta de volta. Mas ele não sabe onde é a aguada e como é que vai achar água no meio desse monte de concreto. Além do mais a égua foi com ele. Fiquei preocupado. Saí pra dar uma volta atrás dele. Passei por muitas pontes sem água embaixo e nada. Ele não iria achar aguada ali. Pensei: e se tiver ido embora? Será que foi levar a égua pra dar água lá em casa no vau da aguada? Eta cavalinho besta sô!!!
Voltei desacossuado, pois nem a traia que tinha deixado dependurada estava mais lá.
Entrei no alpendre de novo pra me despedir do povo e dar um jeito de ir embora.
Na hora da despedida, de acordo com o costume da cidade, as moças me davam o rosto prum beijim . Eu que não sô bobo nem nada, gostei daquilo. Quando chegou a vez da galegona, eu já empolgado, resolvi colocar o braço nas costas dela. Quando mencionei, ela deu uma viradinha e minha mão deu uma derriçada assim no seio dela sô. Assim por cima. Mas êta trem bão! Deu pra sentir aquele trem carnudo na ponta dos dedos.Bem que eu tinha arreparado que ela não usava sutian. Cheguei arrepiar. Fiquei sem saber onde punha a cara. Mas foi sem querer. Juro que foi. O pior é que ela gostou sô...foi me acompanhando até a porta e quando desci a calçada ela desceu também..Ficou num degrau mais baixo e deu de ficar da minha altura assim. Aí eu criei coragem e falei pra ela: já que meu cavalin foi beber água e não voltou, ce não quer ir comigo pra roça não?
O pior é que ela topou sô...quando tava saindo à pé, com a galegona, de braços dados.. acordei...
Êta cavalin besta sô!!!!
Eu tenho um cavalinho, desses assim: comum, pequeno, russo, meio queimadinho, quase branco, mansinnho mansin que vive lá em casa na roça. Ele é meio bobo: não sai da porta. Não sei se é por que vive sozinho e gosta da companhia e do barulho da casa, ou é por que gosta mesmo de servir.
Os meninos usam e abusam dele. Puseram até um nome nele: ferradura (está sempre atrás da porta).
Apanhei ele há uns dez anos atrás do véi Luça: um velho cheirador de pó que morava lá pras bandas da ponte-natureza. Dei um bezerro de ano nele. Foi até o Marquinho meu cunhado que fez o catira. O negócio foi até bom: na “orelha”, ninguém tomou manta. Achei que tinha ficado no prejuízo por que o danado do cavalo era muito pequeno e mirradin. Mas o garrotinho também tinha acabado de desmamar e não era lá essas coisas. Depois o ferradura foi encorpando e aprendendo a lidar com gado, ficou bom de carroça e com essa vantagem: com tanto pasto pra ele andar e se esconder, preferia ficar ali no pátio. Costume dele. Só saía pra ir ao vau da aguada beber uns goles e dar uma refrescada, pastava um pouquinho por ali e logo voltava pra porta.
Um dia desses sonhei que tinha chegado numa cidade grande montado nele. Fui na casa de um amigo que hoje mora em Porto Alegre, mas não reconheci que cidade era aquela. Era uma cidade bem grande que também não era São Paulo.
Só sei que cheguei assim: chapéu na cabeça e calçado com um par de esporas.
Parei na esquina d`um bequinho e desarriei o ferradura. Tinha uma estaca fincada na beira da calçada e ali mesmo pendurei a traia: arreio, bacheiro, rédea e as esporas.
Assim pro fundo do beco era uma vilinha com casa dos dois lados e no meio uma ruela com calçamento de pedra, aquelas pretas bem aparadinhas nos cantos.E tinha bastante touceira de grama brotando ali por entre as pedras. Avistei até uma égua ruzia muito bonita pastando mais no fundo do beco.
Soltei o ferradura e atravessei a rua. A casa era a da esquina, a primeira da entrada da rua. Um casa amarela com alpendre grande e muita gente lá dentro. Ouvi até a voz do Márcio, meu companheiro de música, lá no fundo da cozinha. Ria alto com gosto. Daquele jeito dele. Meu amigo não tava, mas tinha muitas irmãs e amigas no alpendre conversando. Umas bonitas, outras mais rulicinhas. Fui logo me apresentando, assim meio sem jeito fui salvando todo mundo.
Vi logo que uma galegona, a mais bonita, deu de puxar conversa comigo. Queria saber quem eu era; de onde conhecia seu irmão! E eu fui contando que o irmão dela tinha morado junto comigo e minha turma de músicos numa república lá em São Paulo e que depois foi embora pra Portugal e eu não o vi mais.Mas falei que queria muito encontrar com ele e assim o papo foi ficando melhor.
Uma vez, depois de ter tomado um cafezin, acendi um paiero e saí pra ver o ferradura.
Tava lá no fundo amadrinhando com a égua. Dei umas tragadas, joguei o cigarro fora e voltei pro Alpendre. Até me chamaram para entrar, mas dali eu não passava. Conversa boa com a moçada. Nisso papo vai, papo vem, o meu amigo não chega, proseei mais com a galegona até que resolvi dar mais uma olhada no cavalo. Queria arriar, já deixar pronto pra ir embora. Já não o avistei no fundo da rua. Fiquei imaginando: deve ter ido beber água e daqui a pouco ta de volta. Mas ele não sabe onde é a aguada e como é que vai achar água no meio desse monte de concreto. Além do mais a égua foi com ele. Fiquei preocupado. Saí pra dar uma volta atrás dele. Passei por muitas pontes sem água embaixo e nada. Ele não iria achar aguada ali. Pensei: e se tiver ido embora? Será que foi levar a égua pra dar água lá em casa no vau da aguada? Eta cavalinho besta sô!!!
Voltei desacossuado, pois nem a traia que tinha deixado dependurada estava mais lá.
Entrei no alpendre de novo pra me despedir do povo e dar um jeito de ir embora.
Na hora da despedida, de acordo com o costume da cidade, as moças me davam o rosto prum beijim . Eu que não sô bobo nem nada, gostei daquilo. Quando chegou a vez da galegona, eu já empolgado, resolvi colocar o braço nas costas dela. Quando mencionei, ela deu uma viradinha e minha mão deu uma derriçada assim no seio dela sô. Assim por cima. Mas êta trem bão! Deu pra sentir aquele trem carnudo na ponta dos dedos.Bem que eu tinha arreparado que ela não usava sutian. Cheguei arrepiar. Fiquei sem saber onde punha a cara. Mas foi sem querer. Juro que foi. O pior é que ela gostou sô...foi me acompanhando até a porta e quando desci a calçada ela desceu também..Ficou num degrau mais baixo e deu de ficar da minha altura assim. Aí eu criei coragem e falei pra ela: já que meu cavalin foi beber água e não voltou, ce não quer ir comigo pra roça não?
O pior é que ela topou sô...quando tava saindo à pé, com a galegona, de braços dados.. acordei...
Êta cavalin besta sô!!!!
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