Pela primeira vez sentei me no alpendre da fazenda com o notebook no colo.
Nada de fio. Nadica de nada. Esta máquina maravilhosa de escrever, de entreter!
Para mim, uma re-evolução maravilhosa! . Quem diria que isso iria acontecer um dia aqui no sertão das gerais. Também pela primeira vez não pensei em me conectar a internet. Conectar-me com o mundo. Sinto me conectadíssimo com a vida neste momento. Só pensei em sentar-me na velha varanda e escrever um pouco.
Antes sentava aqui e, rapidamente,enchia cadernos que estão guardados por ai.
Agora escrevo neste laptop que os amigos, colegas de trabalhos de Sampa me deram de presente. Presente maravilhoso que aproveito mais uma vez a oportunidade para agradecê-los.
As ultimas anotações que fiz estavam perdidas. Levei um susto danado.
Havia feito alguns registros e impressões dos meus primeiros dias longe da agitação de São Paulo.
Não achava o tal diário. Pensei te-lo perdido em Paracatu. Lá estão achando que sou celebridade.
Cheguei a pensar na hipótese de terem levado meu caderno para, no caso de um dia eu ficar famoso, terem meus escritos.
Ainda bem que não foi isso o que aconteceu. Estava misturado com as minhas roupas, escondido dentro de uma camiseta.
Estamos só o Rone e eu. Cai a tarde maravilhosa. Muita luz, muita paz. Fui até o final do páteo da frente pegar uns galhos seco para colocar no fogão de lenha.
Vejo o gado pastando tranquilamente o pasto recém batido e as galinhas catando gafanhotos na grama. Choveu muito pela manhã, agora o céu esta azulzin.
O “silêncio verdim” é tanto que ouço o barulho do córrego que passa a quase quinhentos metros da casa. Soa como se eu estivesse às margens sua, dele. Lá, correndo sem se preocupar pra onde vai.
Pensei em registrar este momento de felicidade, fazer mais uma página do meu diário.
Ontem fiz minha primeira apresentação musical em Paracatu. Não foi como esperava, mas mostrei meu cartão de visitas.
Foi no cine Santo Antonio. Maravilhosa acústica. Fiquei contente em ver aquele lugar ainda inteiro e pelo fato de ainda não ter virado igreja. Nunca mais tinha entrado naquele teatro. Ali, no meu tempo de infância, era um cinema. Não cheguei a assistir nada lá.
Entrei uma vez naquele prédio. Matricularam-me lá com cinco anos de idade no jardim de infância. Lembro-me que só fui naquele dia. Chorei, detestei! Nunca mais voltei ao jardim de infância. Ainda bem que não insistiram comigo, acho que não.
Ontem promoveram lá o show em homenagem ao Ilídio, músico paracatuano que teve a perna amputada por complicações diabéticas.
O Ilídio, conversando comigo, contou me que, por coincidência, mora na mesma rua onde nasci. Rua Elelvina Elisa Resende. A apenas duas casas depois da que era nossa.
Contei pra ele que tenho vontade de ir lá procurar umas bilocas que deixei enterradas lá em há muitos anos atrás. Por falar em “bilocas”, o Bilora me diz que lá no norte de Minas essas bolinhas de gude se chamam “xina”, (não sei se com x ou ch). O Luiz Salgado as conhecem como “biloscas”.
O Ilídio, na sua simplicidade, fez um show maravilhoso! Fiquei surpreso pelos ótimos músicos que dividiram o palco com ele. Pessoal muito competente. Principalmente o Márcio, o guitarrista. Olha que nem gosto de guitarras, mas achei incrível a técnica deste meu novo amigo. Já combinamos de fazer um som juntos. O baixista, Silvério, se não me falha a memória sobre o nome certo dele, muito bom também. O baterista Idem. O Silvério contou me orgulhoso de que, quando o Mina das Minas fez show em Paracatu, há muito tempo atrás, eu havia lhe pedido para “passar o som” do meu baixo. Ele disse que era adolescente e que nunca se esqueceu disto. Eu nem me lembrava dele, mas gostei da história.
O Ilídio levou um violão acústico para que eu tocasse. Eu já sabia do show mas não da data certa. Deixei meu violão aqui na roça. Achei complicado voltar para buscá-lo. Fazer 180 km, ida e volta, só para buscar um violão para dar uma canja!
Resolvi contar com o violão do Ilídio. Só que, para minha desilusão, ele toca num violão de sete cordas. Até que tentei encarar durante a passagem de som, mas fiquei inseguro. Cordas demais para mim!
Só que ele havia levado um violão acústico, pensando nesta possibilidade de eu não encarar o de sete. Depois do show deles, ele me chamou de uma forma engraçada pro palco. “Olha, ta aqui um rapaz da Receita Federal que quer mostrar suas músicas para vocês. O nome dele é (e lendo o papel), Pedro Antônio”. O público aplaudiu e eu, com a minha cara de pau subi ao palco e disse que não iria tocar porquê não havia levado instrumento. Aí, peguei o violão que estava num canto, que foi logo microfonado e fiz: “carta ao velho Rosa”, “Lua”(citando o nome do Galba) e “Procurado paz”. Saí do palco feliz pelo som acústico, bem intimista e me sentindo que acabava de chegar em casa.
“Didi Paracatu” (um ótimo violonista) estava na platéia. Depois de cumprimentar-me, incentivou-me. Disse que preciso fazer logo esse meu disco solo. “Demorou” Didi!
Depois foi o show do Bilora. Amigo violeiro dos mais competentes. Fez um show maravilhoso e mostrou por que veio. Acabado o espetáculo, apagadas as luzes, fomos, juntamente com o Fernando, (outro ótimo pandeirista que tocou com Bilora), a Suely do Sesc com o marido e mais outro casal de amigos, também músicos, (dos quais me esqui dos nomes, me perdoem), tomar umas num restaurante chamado “fornalha”. Noite boa como esta que agora se anuncia.
Uma borboletinha, dessas tipo mariposa, pousou na minha tela. É sinal preu parar. Vou tomar uma taça de vinho.
Depois conto mais noticias das bandas de cá, dos sertões das gerais.
Como diz meu amigo Luiz Salgado:
“inté”
04/04/09
domingo, 5 de abril de 2009
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Um comentário:
Grande Pedro,este blog ta uma delicia,fui ler um comentario e acabei lendo todos,parabens meu amigo Cantador e agora Contador de causos maravilhosos.
Enan Racan
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