segunda-feira, 25 de maio de 2009

24 de maio

Nesta sexta ultima, quando cheguei em casa à noite, levei um grande susto com a nota de falecimento do nosso amigo Zé Rodrix, patrono do clube caiubi de compositores do qual sou integrante.
Grande perda para a classe e para a música brasileira!
Foi com Zé Rodrix que aprendi a ir pro trabalho usando caminhos mais compridos...
Foi também com ele que aprendi a importância de uma casa no campo..
Vá com Deus meu amigo...

Por falar em amigos que partiram, hoje dia 24 é o aniversário de nosso grande amigo Álio Alfredo que também já partiu fora do combinado.
O Alio é o autor da letra “Blues do Urubu” que gravamos no CD bacupari.
Uma linda canção de despedida dele e do mano Galba

Sinto muitas saudades suas meu caro!!

Coincidência ou não, quando liguei a TV hoje tava passando um programa especial da cultura em que aparecia vários colegas que também já partiram desta pra melhor.
Foi no “Viola minha viola” da nossa querida Inezita Barroso.
Programa em que já estivemos pelo menos umas seis vezes. Meu grupo e eu.
A imagem da parabólica é horrível neste canal na “roça”, mesmo assim fiquei ligado.
Revi grandes nomes da nossa música que deixaram belas obras para o nosso cancioneiro, como Adauto Santos e João Pacífico.
Sobre o João tenho uma passagem muito interessante com ele. Uma lição. Uma não, várias lições em um só gesto deste grande mestre. Ele me transmitiu sem saber ou sabendo, que devemos fazer, externar, aquilo que somos, que sentimos, nossas verdades;
Que na música, na arte em geral, o que importa é a emoção. Se você chegar ao coração das pessoas sua missão está cumprida; que a beleza reside no simples!!!
João me fez chorar ha uns doze anos atrás. Aliás, fazer me chorar não é tarefa muito difícil. Como diria minha mãe: “sou um manteiga derretida”!
Naquela época, acabáramos de chegar de Portugal onde estivemos nos apresentando (grupo Mina das Minas) por quase dois anos e, pra variar, não dava para se viver de música no Brasil e a grana estava acabando!
Galba e eu tocávamos na banda “comida caseira” lá na vila Madalena em São Paulo, numa casa muito legal chamada “Armazém”, dos nossos amigos Osvaldinho e Mariza Viana.
O João (autor de cabocla Tereza) dentre outros grandes poemas, freqüentava a casa. Tomava sua “branquinha” e ficava sentado cochilando na mesa.
Eu, apertado com as finanças, estava estudando para o concurso da Receita Federal. Estudava pelo menos umas dez horas por dia. Não tinha outra alternativa: passava ou passava!
Ele não sabia disso e, num intervalo de nossa apresentação, me sentei à mesa dele.
Ele deu uma acordada, se virou para mim e me disse: “eu não tenho estudo mas sei fazer você chorar”
Eu comecei a chorar só de ouvir isso. Quem lhe disse que eu estava estudando? Fiquei admirado e além disso, estava à flor da pele, quase ficando louco de tanta legislação!
Daí ele recitou o “poema do prego” que me remeteu à minha infância aqui na fazenda e não pude me conter, chorei igual a uma criança.
Nunca mais me esqueci dessa mensagem e foi a partir deste dia que comecei a me meter a cantar também já que só atuava como contrabaixista.
Sobre o Adauto Santos, outra linda lembrança: sempre que passo perto de uma paineira me lembro que “...ali passava boi, passava boiada tinha uma paineira na beira da estrada onde foi gravado muitos corações”. Lembro me de minhas irmãs e seus namorados que viviam desenhando corações nas paineiras, gameleiras, laranjeiras, mangueiras e em todas as árvores que os adolescentes apaixonados encontravam pela frente.
Eu também já fiz isso, é claro!!

Depois de rever o João Pacífico, continuei ligado para ver a “Consuelo de Paula”. Esta muito bem viva!!! Graças a Deus!!!
Minha parceira na música “Juana”. Letra dela para a primeira música que fiz usando a viola.
A Consuelo é uma grande cantadeira das Gerais e se apresentou no Boldrin “Sr Brasil”.
E o melhor: cantou uma parceria dela com meu amigo Luiz Salgado: “Pássaro Lunar”
Coisa linda!!!
Ela é dona de uma personalidade muito forte dentro da nossa música regional!
Exemplo de dedicação e leveza!
Valeu o dia!!
Fui

2 comentários:

Unknown disse...

Olá mano!
Muito me emociona ler seus escritos, geralmente às segundas-feira, após o seu retiro espiritual na fazenda. Me emociona muito talvez porque sou uma profunda conhecedora dos seus sentimentos, bem como de sua trajetória de vida. Por falar no nosso grande amigo Alio Alfredo, gostaria também de manifestar a minha grande saudade procovada pela ausência deste jovem que tão prematuramente partiu desta.
E, quanto a história dos corações desenhados nas palmeiras, gostaria que fossem acrescentados maiores detalhes...

Pedro Antonio disse...

Muito obrigado Maria pelo incentivo sempre!
Quanto aos detalhes, melhor deixar pra lá não?
Abraços