segunda-feira, 8 de junho de 2009

A fé

Neste domingo fui ao almoço comunitário na “corda”
Corda é um local aqui próximo à fazenda que tem uma igreja e um salão de festas onde se reúne a comunidade local. Lá já fizemos, com a tia Leonora e a comunidade, uma linda festa de Santos Reis.
O almoço, ofertado pelos casais: Marquin e Nenza, Sinval e Rosana foi bom até!
Fartura: Muito frango, mandioca, pelotas (almôndegas) , macarrão, tropeiro, abóbora madura e outras comilanças. A parentada quase toda reunida.
Quando cheguei estava havendo a celebração da missa. Desta vez o padre da paróquia de Guarda Mor estava presente. Lá, o costume é sempre ter um terço antes do almoço.
Fiquei meio sem jeito mas acabei sentando com os fiéis e assistindo ao culto. É que não tenho mais paciência para missas. Acho as longas demais e repetitivas. Sempre o mesmo ritual.
Fico observando as pessoas com aquela devoção toda e fazendo mea culpa
Fico sempre sem jeito nestes locais, igrejas, terços, cultos de qualquer espécie. Sou muito crítico!
Perdi o jeito ou a fé? Não, a fé não! Esta está sempre comigo e acredito mesmo num ser superior que nos rege a todos. Mas tenho maneiras diferentes de agradecer! Confesso que não tenho paciência para celebrações religiosas. Fico sempre questionando as parábolas, os sermões dos padres e as atitudes das pessoas que estão ali rezando. Não consigo me entregar e entrar na “dança”. Acho que perdi a fé foi nos padres!
Por outro lado fico admirado com a devoção das pessoas e com os rituais de alegria ! Elas se entregam mesmo e não arredam pé até que o padre diga: “vão com Deus e que o Senhor vos acompanhe”!
Confesso que me esforço e tenho vontade de ser um deles, um cordeiro, mas não tenho conseguido. Acho que depois que se aprende a olhar as coisas com olhar crítico fica difícil a isenção para se deixar dominar.
Quando vejo pessoas devotas e ativas nas igrejas, fico admirado e tenho o maior respeito por elas e as invejo até pois, sem Deus, nada é possível! Me perdoem! Mas é o que penso, no momento.
Quando estávamos gravando o disco “Bacupari”, Zé Geraldo, que havia sido nosso convidado na gravação da música “um lugar”, nos pediu que gravasse com ele a música “Fé” que ele havia feito daquela vez que o bispo chutou a santa. Música linda! O Zé que apareceu no cenário musical falando de igreja com a música “Cidadão” do Lúcio Barbosa, havia composto esta música linda professando sua fé!
Gravamos e acabei levando uma matriz para casa pensando na possibilidade de, se o Zé não a gravasse comercialmente, um dia quem sabe eu a gravaria. Felizmente depois de uma longa trajetória ele conseguiu emplaca-la na novela das seis da Globo. É a música da santinha!
Sem dúvida nenhuma foi a fé do Zé que o levou novamente à tela da toda poderosa emissora, embora ele não tenha mais a ilusão de aparecer nos programas do “Gugu e do Faustão”, está lá!
Aquele é um homem de fé e a sua letra diz: “o povo que não tem fé é um povo abandonado”.
Ainda bem que a minha continua aqui!
Voltando ao almoço, comi bastante, arrematei um pudim no leilão e, quando chamaram para rezar novamente, desta vez um terço, saí de fininho...
Fui.

3 comentários:

Zi disse...

Ô menino Pedrim que "FÉ" linda é essa sua visão da "FÉ" das pessoas...
Fé é assim, cada um tem a sua. O mais importante é aquela que toca a sua alma e te deixa pleno e em paz consigo mesmo.
Linda passagem essa sua vivência...
Agora, babei na descrição das comidas...ai..ai...que saudade da boa comida mineira. Mas a saudade bateu mesmo é do abraço desse povo tão querido...da luz do abraço amigo que doa sem sentir que doou...Ô terra abençoada!
Um abração procê meninim...fica em luz, viu?!

Pedro Antonio disse...

Oh Zi, obrigado sempre pela compreensão e pelo carinho!
Quando quiseres aparecer para matar a saudade e comer essa nossa comidinha, terei grande prazer em te receber!
Grande cheiro

Marcio Pereira disse...

Menino, cê tá com a vida social muito agitada. Festa boa heim? Com certeza é bom estar onde tudo começou. Grande abraço, Marcio