segunda-feira, 28 de setembro de 2009

25 de setembro

Sexta feira. Há pouco mais de duas horas desta sexta feira vi a morte de perto! Digo melhor: Passou por mim e eu não a vi. Não tomei conhecimento, nem vi que cara tinha, tem. Ainda bem! Desta vez não! Proteção do meu anjo da guarda! Creio estar em dia com ele de quem sempre gostei muito! Fui protegido mais uma vez para estar aqui escrevendo estas linhas pra vocês sentado no meu velho alpendre tomando o meu vinho costumeiro. Do contrário teria ido. Uma tarde gostosa, encerrei o expediente mais cedo por estar cansado e com saudades da roça já que não vim pra cá no ultimo final de semana, comprei carne, vinho, ração para os cachorros e veneno para as formigas que estão acabando com nossas árvores de Santa Bárbara e, por volta das dezesseis horas, peguei a estrada Paracatu/Guarda Mor. No caminho vi um acidente. Fiquei imaginando como é que aqueles caras foram bater naquela reta. Tomei prudência e dirigia devagar, coisa que não costumo fazer nesta estrada maravilhosa que me traz à fazenda. Comi uns pães de queijo que havia comprado e ouvia uma música até razoável que tocava no rádio do carro, coisa rara nas emissoras daqui! De repente, numa descida, um carro vinha no sentido contrário e, do nada, invadiu a minha faixa. Para não bater de frente, saí para a direita e, para não cair numa ribanceira, joguei o carro para a estrada. Só que, carro com direção hidráulica, numa velocidade de cem por hora, obedece demais a uma virada brusca. Ia cair do outro lado da pista. Puxei novamente para a direita e depois para a esquerda e ainda tentei frear. Ele começou a dançar na pista e, quando vi, estava de cabeça para baixo derrapando o teto no asfalto. Ainda dei uma risadinha, daquelas sem graça, e pensei: nó, capotei! Mantive a calma, não sei como, ele desvirou e desceu mais uma ribanceira indo parar numa vala no meio do capinzal, em pé e no sentido de pronto pra partir. Só que o estado dele coitado, não tinha como sair do lugar. O pneu estourou, vidros, tetos e capô totalmente avariados. Tranquilamente tirei o cinto, que me ajudou nesta, abri a porta e fui ver se havia acontecido alguma coisa com o outro carro. Que nada, nem parou pra dar socorro, sumiu na estrada. Liguei pra polícia imediatamente contando o ocorrido pra ver se o pegavam já que eles estavam a alguns quilômetros à frente. Sumiu! De repente foram parando carros para ver o acontecido. Alguns iam lá na frente e voltavam por terem me reconhecido, o que muito me orgulha nesta minha fase de adaptação em Paracatu. Chamavam me pelo nome e ofereciam ajuda. Jamais imaginava estar tão conhecido por aqui. Alguns perguntavam pela viola. Aí que me lembrei de olhar se ela tinha sofrido algum dano. Nada, apenas estava espremida no chão do carro já que os bancos todos saíram do lugar. Tirei a do estojo e conferi direito. Ufa, ta viva!
Temeroso de que a notícia chegasse em casa primeiro que eu, liguei pra Sampa e contei pra família!
Fiquei imaginando o que devia fazer. Não, não poderia estragar meu final de semana na roça! Já que estava vivo, deveria curtir a vida fazendo o que gosto. Não admiti a hipótese de voltar para Paracatu e ficar trancado no quarto do hotel. Liguei pra seguradora que me ofereceu um taxi e mandou o guincho.
Dispensei o táxi e liguei pro meu irmão Wanderley que, prontamente, em menos de uma hora, foi me socorrer. Tirei as coisas do carro, já escurecendo, e coloquei no carro dele já que o meu jipinho ia ser guinchado e , embora goste muito dele, espero que não volte. Tomei cuidado para não deixar nada. Salvei o disco da Cris Aflado que vive no CD Player e meus pertences. Ví, no meio do capinzal minha toalhinha azul, uma gravada com meu nome que uma fã nos ofertou há todos do Mina das Minas há alguns anos atrás. Peguei a, limpei o suor da testa e agradeci a Deus por estar vivo e sem nenhum arranhão e por estar tão popular por aqui. Ainda achei meu óculos que também se safou desta. Retirei tudo e, aqui na roça - Deley me emprestou seu carro pra passar o final de semana - quando fui pegar meu vinho, vi que a carne não veio. Que apodreça lá no meu lugar! Se é que ficou na estrada. O pior é se ficou dentro do carro, o que é mais provável, alguém vai sentir um cheirinho estranho amanhã que, graças a Deus, não é meu!
Vivem me dizendo que sou muito calmo. Não pensava ser tanto! Pode ser que amanhã bata alguma dor, algum desespero mas, no momento, só quero saborear meu vinho e curtir a vida!
No caminho ainda vimos uma cascavel. Falei pra Wanderley parar para lhe tirarmos o chocalho pra sua viola já que ele agora é também violeiro. Achou melhor não! Ainda recebemos, pelo celular, um convite para uma cantoria na casa do Moacir “maravilha“. Pensei em ir mas dispensei, Deley que vá mostrar seus dotes de o mais novo violeiro da família! Queria logo tomar um banho já que meus cabelos ficaram a pura terra e cacos de vidro! Ainda teremos muitas cantorias pela frente!
E “viva a vida que ela é genial“!
Não fui, eu volto!

6 comentários:

Zi disse...

Ô amigo....graças ao bom Deus amado e seus Anjos da Guarda que derramaram suas bençãos e iluminaram o seu caminho....ô susto!
Agora, foi impossível não rir do "nó, capotei"....kkkkkk....esse é o verdadeiro espírito da vida. Saber viver, sem tantos "dramas", porque a vida simplesmente é assim....genial!
Abração, uai sô...

Pedro Antonio disse...

Oh Zi, muito obrigado!
A vida é essa estrada bonita, cheia de mistérios e lições!
"Viver é muito perigoso!
Viva a vida!!!

Luiz Salgado disse...

Pidrin, meu irmão... q coisa... confesso q tb ri do "capotei..." rsrsrsrs.
Cara, q maluco esse motorista q nem parou pra te ajudar. Graças a Deus vc tá bem. Deixo aqui meu abraço e vê se num passa mais medo na gente.
Inté.
Luiz.

Pedro Antonio disse...

Oh Luizin,quando vi que ia bater pensei: agora é mato ou morro!
Escolhi o mato!!
Ainda bem!
Grande abraço meu irmão!

Unknown disse...

Que coisa, meu irmão! Sair da vida agitada de Sampa pra bater justo nestas estradas quase em movimento. Que sina, hein? Justo esta semana que fiquei sem internet, só hoje estou sabendo da notícia que graças a Deus não foi das piores. Mas vc como está a estas alturas?
Que o seu anjo da guarda continue a protegê-lo!
Um grande abraço!

Pedro Antonio disse...

Éh minha irmã, foi só um susto!
Descuido sobre os motoristas daqui que são demais sem noção! com exceções é claro!
Felizmente não me aconteceu nada!
Grande abraço