segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Técnica & Emoção

Hoje tirei o dia para me emocionar: primeiro, depois da minha caminhada matinal com o Ramires e a Tigresa, nossos cachorros, revi o DVD do Chico Buarque com sua técnica apurada e aquela elegância ímpar. Gravado a quase vinte anos atrás quando o Brasil prometia ser o país do futuro.
Ali Chico sonha com um país melhor e fala da campanha do Lula que ele sempre defendeu como Presidente. Lembrei me de quando o assisti ao vivo num comício do PT em São Paulo lá na praça Campos de Bagatele nos anos oitenta. Show memorável! No final ele entrou no ônibus correndo da mulherada que queria tocá-lo a qualquer custo. Naquele show tinha também Cleyton e Cledir no auge do sucesso de “Deu pra ti”, “Maria fumaça” e outras belas canções. Não tive como não me emocionar lembrando me desta passagem e pensando em como o Brasil melhorou desde então. O Chico estava certo! O Lula era mesmo o cara! E o país melhorou e muito! Agora que venha a Marina, nosso Obama de saias!
Depois de ver o Chico, comi um arrozinho com peixe frito, pescado pelo Sinval no Rio Verde, que divide Minas com o Goiás e revi o DVD do Milton Nascimento “Sede dos Peixes”, outra preciosidade!
A paisagem mineira, os parceiros do Clube da Esquina e algumas histórias engraçadas sobre o mar.
Tavinho moura, um dos compositores do clube, diz em seu depoimento que o mar é estranho e que a onda deveria ser pra lá ao invés de ficar nos repulsando sempre.
O show do Milton de que não me esqueço foi o que assistimos no Anhembi. Galba, Wellington e eu, também na década de oitenta. Acho que foi no lançamento do CD “Caçador de mim”. Teve uma passagem engraçada: quando ele cantava “Cuitelinho”, música recolhida pelo Paulo Vanzolini, e explicava que cuitelinho era um beija flor, alguém gritou lá do fundo da platéia: “beija flor é você gracinha”!
Foi riso geral na platéia e o Milton ficou até branco de sem graça, tímido que é!
Fiquei comparando os dois ídolos: O Chico, pura técnica. Músicas e letras complexas, difíceis de se fazer. O Milton pura emoção aliada a uma técnica vocal incomparável! Com um bom time de músicos ou sozinho ao violão, ele nos faz engolir em seco quando canta! E como canta! Já vi este vídeo umas dez vezes e sempre me emociono principalmente quando ele canta as duas “clube da esquina”, são lindas!
Depois de assisti-los tomando meu vinho, é claro, fiquei traçando paralelos entre o que tínhamos na nossa MPB e a música que se faz hoje. Que pena que estamos deixando cair esta bandeira!
Ainda bem que “Os sonhos não envelhecem”! Ainda nos resta a esperança de poder continuar tocando nossas músicas mpbrianas pelas estradas e ouvindo estes grandes ídolos!
Estes dois monstros sagrados da nossa música, me faz concluir o que venho pensando a tempos: o que importa é a emoção! Ela tem que estar presente sempre. Com técnica, melhor ainda mas, ela de per si, já segura qualquer canção. Técnica sem emoção é fria. Emoção com ou sem técnica, é sempre tocante!
Eu, por não ter técnica apurada, por não gostar muito de estudar música, trago em minhas canções sempre uma boa dose de emoção. De qualquer forma, aprendi um pouco com os dois. O contar estórias das minhas letras, aprendi com o Chico. Pena não ter aprendido a cantar como o Milton! Mas tenho lá o meu jeito!
O Milton me remete ao simples, ao que busco hoje em minhas músicas e em minha vida.
Tenho falado sempre nisso: como é difícil se fazer e se viver simplesmente! Sempre temos que colocar uma pitada de complexidade, seja para confundir ou para tentar sofisticar. Ledo engano! O simples é simplesmente simples!
Mas venho caminhando neste sentido e as pessoas já tem observado e comentado sobre a singeleza do meu trabalho musical e do meu modo de ver a vida, o que muito me orgulha!
É por este caminho que vou!
Uma boa semana para todos.
Fui.

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