
Conheci Luiz Salgado no festival de Rio Claro/SP no início deste século. Eu estava lá com o grupo “Terramérica” defendendo a minha música “Dom Quixote internauta” com aquele excelente grupo.
Acabamos ganhando o festival mas, o que ganhei naquela noite foi muito maior que o troféu de campeão, foi a amizade deste cantador do cerrado!
Ele defendia a música “Rio”, de sua autoria, com uma moçada muito competente: Evaldo (viola), Pacis Jr (bateria), Alonso (flauta) e ele num “violãozin fiote” que ele tem.
Fiquei fascinado com eles! A identificação foi na hora: me vi ali representado por aquele “Patureba” que trazia as tradições mineiras com uma segurança invejável para um garoto da sua idade. Que originalidade! Pensei! Ele ainda era um garoto, como pode gostar de música regional assim? Ali era nós, era Minas Gerais! Não me lembro que classificação eles pegaram, mas isso também não importa.
Quando ele dançou, os mesmos passos de Lundu que dança em frente a uma casa antiga no DVD, me ganhou na hora! E a simpatia então? Saímos dali e fomos para um barzinho onde conversamos bastante até de madrugada, o que fez crescer ainda mais meu fascínio pelo Salgadin. Depois nos encontramos novamente em Viçosa/MG e ele se encostou em mim quando anunciavam a premiação e disse: “vou me encostar no Pedrin para aprender a ganhar festival”. Não deu outra: fomos vencedores de novo com a mesma Dom Quixote. A partir dali ele passou a ser, além de um dos meus melhores amigos, meu amuleto da sorte! Desde então, sempre que podemos estamos fazendo cantoria juntos.
Agora está aí seu DVD “Noite e viola”. Demorou mais que a gestação do Antônio, seu filho, mas finalmente foi parido! Assisti chorando de emoção. Coisa linda! Chorei pela canções, pela história de sua vida sofrida como artista, quase sempre sem grana mas nunca sem o sorriso e a simpatia que são suas marcas inconfundíveis! Me emocionei por vê-lo tocando ali com a família: Lilian Fulô e Antônio na barriga sua, dela! Fiquei feliz por ver ali a materialização de um sonho, de um trabalho digno com uma maturidade que só o os grandes artistas conseguem ter. Noite viola mostra só parte de sua história. Quem tiver a oportunidade de conhecer o Luiz vai ver e sentir que ele é ainda bem maior do que o que ali está. É amigo de todos! Humano a ponto de não matar uma formiga que sobe em sua cama. Pega-a com o maior cuidado e coloca numa planta do terreiro. Eu mesmo presenciei muito dessas suas cenas!
Nesta gravação conseguiu reunir um time invejável de músicos capitaneados por ele e dirigidos pelo excelente Xande Tannus. A percussão de Alex Mororó, Dedé e Lilian Fulô, deram um sabor muito especial ao molho pardo das músicas do Luiz. A sanfona do Cris deu uma universalização ao trabalho. A conversa do violão do Xande com a viola do Salgado parece e é mais do que dois amigos trocando uns dedos de prosa. O baixo acústico baby do Gringo valorizou muito o trabalho dando o chão que as canções pediam para florescer. A produção executiva foi do Pacis Jr., o mesmo que conheci com ele no festival de Rio Claro. Trabalharam bem demais da conta! Tem cenas maravilhosas como as de um gatinho espreguiçando e a cachorra do Luiz cochilando. Parece coisa de gente à toa pegar umas cenas destas mas fizeram a diferença e mostraram ainda mais a sensibilidade do Luiz amante dos humanos, dos gatos e cachorros. A sonoridade está excelente e no final, além de homenagear Pena Branca, ainda destaca o Antônio que agora está com mais de dois anos. Demorou mas valeu a pena parceiro!
Parabéns a vocês todos pelo trabalho maravilhoso!
Que seja só o começo de uma carreira que promete muito e que já está acontecendo!
Quem tomar conhecimento deste DVD não deixe de adquiri-lo. Aos que quiserem encomendar, podem me escrever que terei o maior prazer de fazer com que esta preciosidade chegue às mãos de vocês!
Como diz o Salgadin: inté!
UM AMOR ANIMAL
Sinval me contou uma história muito bonita neste final de semana. Sinval é meu cunhado e a história é daqui da roça: o amor de um cavalo por um bezerro recém nascido. Vou contar pra vocês o que ele me disse. Sei que quem conta um conto aumenta um ponto. Como não vi a cena, vou descrever o que ouvi e imaginei!
Segundo ele, eu quase perdi um bezerro. Uma vaca minha estava mojando, prestes a parir, e seu filho ultimo, já crescido, vivia atrás dela querendo sugar o leite que ela estava preparando para receber o novo bezerrin. Isso eu mesmo presenciei várias vezes no curral.
Aí ela faltou, ficou dois dias sem aparecer. Campearam e não acharam pelo fato de os pastos estarem muito sujos.
Ela apareceu então na porta no final do terceiro dia com o bezerro velho. Ele achou as tetas dela bem murchas e imaginou que o bezerrão tinha finalmente conseguido roubar o leite. Não observou que ela havia parido. No dia seguinte ele foi arrumar uma cerca lá pelos lados das “piteiras” e ouviu os cachorros latindo muito. Foi até lá conferir e viu o cavalo “ferradura” bravo como nunca com os cachorros. Não deixavam eles se aproximarem de forma alguma. Sinval achou estranho e tentou chegar mais perto mas o ferradura correu com ele também. Estranhou, “esse cavalin é o mais manso daqui da roça, nunca enfrentou ninguém, deve ter alguma coisa errada”! pegou um pau e se aproximou do ferradura, foi quando viu o bezerro novo numa moita de capim. Que surpresa, aí ligou os fatos. “Aquela vaca do Pedro pariu e deixou o bezerro aqui. Trocou o novo pelo velho e foi embora. Esse cavalo ta tomando conta dele”. Com muito custo conseguiu tocar cavalo e bezerro para o curral. Disse que o cavalo investia mais que um touro e não queria de forma alguma se separar do bezerro. Teve que fechar os dois e, depois de muito trabalho, conseguiu tirar o ferradura do curral. Saiu mas ficou de fora bravo como uma mãe que tem o filho tirado dos braços.
Agora a mãe reconheceu o filho mais novo e o está amamentando normalmente. O bezerro velho foi devidamente apartado e vive berrando de ciúmes!
O Ferradura está desaparecido desde então. Deve estar chorando pelos pastos!!
Éh, já ouvi de tudo nesta vida! Esta é nova pra mim e pra vocês também, com certeza! Não é ficção não! Se for, não é de minha autoria.
Essa foi mesmo a história de um amor animal!
Agora vou dormir ouvindo o barulho da água a cair
Pensando na companheira distante e nas coisas que ainda não fiz!
Abraços
3 comentários:
Querido amigo e irmão Pedro Pidrin.
Como te disse outro dia, me emocionei ao ler suas palavras...
De certo, a melhor coisa que a música proporciona é o encontro com pessoas como você. Amigo pra todas as horas; cantador e violeiro de sensibilidade única. Amigo que virou irmão. De concorrente em Rio Claro, passou a um dos meus grandes amigos, nem sem quando, nem sei como... acho que na hora que nos conhecemos mesmo.
Deixo aqui pra você toda minha música, amizade e admiração.
Um beijo fraterno.
Inté.
Luiz.
Nossa "Pidrin" que lindo, me emocionei tbém...e de novo com as palavras do "Salgadin".
fico feliz com a constelação de amigos que você ganhou estes ultimos anos... viu como a gente precisa de amigos??? um beijo
Oi Mô, precisamos de amigos sempre!
Ainda bem que tenho vocês
Beijos!
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