domingo, 20 de setembro de 2009

Viola dos Gerais


Estive em Unai neste final de semana. Mais um quarto de hotel. Cidade quente e bonita encravada entre serras. Primeira vez que a visitei. Gostei! Da minha janela vi um bando de pássaros voando estrategicamente em v no final da tarde e do outono.
É a música me levando novamente para a estrada. Temia ficar fora dela! Gosto demais da estrada para ficar parado! Mais um festival para não perder o pique!
Nem sabia deste que a Inter TV, afiliada da TV Globo do norte/noroeste, está organizando. Serão feitas eliminatórias em dez cidades destas regiões. Coisa grande! Foi meu amuleto da sorte chamado Luiz Salgado que mais uma vez me socorreu. Fiz inscrição no ultimo dia depois da sugestão dele, inclusive indicando a música. Obrigado meu irmão! Só viola: guitarras não entram! Coisa boa! É a cultura da viola sendo realimentada. Vi vários violeiros talentosos! Eu sou aprendiz neste instrumento apaixonante. Encarei a minha na música “Cantadores do cerrado” - falar contra o desmatamento indiscriminado do cerrado onde se tem a maior produção de grãos das Minas Gerais foi uma ousadia - ainda bem que o público gostou! E o Jurí também! Toquei simplesmente com a viola e Deus e me dei bem e fui para a final.
Agora a briga será lá no norte do sertão dos Gerais em novembro, Montes Claros.
Outra cidade que a música vai me apresentar.
Para quem não conhece ainda “Cantadores do cerrado” aí vai a letra.
Torçam por mim.
Fui


Cantadores do cerrado
Autor: Pedro Antonio

Os cantadores do cerrado unidos em cantoria
Vem pedir sua licença aqui nessa romaria
Pra falar deste problema, colocar em discussão
Se está certo ou errado o desmate do cerrado
pra plantar dinheiro em grão

Os cantadores do cerrado cantam as dores dos veados, dos tatus e dos quatis
Cantam pelas seriemas e avezinhas tão pequenas que tiveram que partir
Com a chegada dos tratores tudo foi sacrificado
quem ficou foi arrastado pro forno das carvoeiras
Vão deixando a terra nua como fizeram com marte
já mataram grande parte da chapada brasileira

Eh! pau terra
Eh,eh,eh, ei! dona jurema
Quem não cresceu ao seu redor
não viveu vida melhor
Como vai de ti ter pena

Um amigo um dia disse que é preciso entender
Alguém precisa plantar pois precisamos comer
Não está de todo errado agora falo é em meu nome:
Preservar é o que me importa a ver as veredas mortas
prefiro morrer de fome

Quando fizeram as leis, nossa carta capital
Tombaram algumas matas: patrimônio nacional
Deixaram de incluir por descuido ou intenção
o bioma do cerrado nem sequer foi mencionado
lá na constituição

Não chore meu capitão
Cabiúna tenha fé
Nosso canto está bonito
vamos engrossar o grito:
Deixem o cerrado em pé

Um comentário:

Lucas Cordeiro disse...

que dia de novembro? to sempre aqui na torcida! te amo pai!